EnglishEspañolPortuguês

IMPACTO

Moçambique perdeu 5 mil hectares de manguezais em 2024 devido a eventos climáticos

Os dados foram apresentados na Conferência Técnica sobre Monitoria, Reporte e Verificação (MRV) e Implementação do Sistema Nacional de Gestão de Dados sobre Mangais e Ervas Marinhas, que decorre em Maputo até sexta-feira, reunindo especialistas nacionais e parceiros de cooperação.

17 de junho de 2026
3 min. de leitura
A-
A+
Foto: Shaueel Persadee / Unsplash

Moçambique perdeu cerca de cinco mil hectares de manguezais em 2024, um dos níveis mais elevados registrados nos últimos anos, principalmente devido ao impacto de eventos climáticos, informaram hoje especialistas durante uma conferência sobre monitoramento ambiental, em Maputo.

Os dados foram apresentados na Conferência Técnica sobre Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) e Implementação do Sistema Nacional de Gestão de Dados sobre Manguezais e Ervas Marinhas, que acontece em Maputo até sexta-feira, reunindo especialistas nacionais e parceiros de cooperação.

“O maior pico de perda de manguezais foi registrado primeiro em 2019 e o último em 2024”, disse Hercílio Odorico, membro da Unidade de Monitoramento, Relato e Verificação, durante a apresentação de dados sobre os dez anos de monitoramento do desmatamento em Moçambique, acrescentando que a degradação desses ecossistemas continua exigindo medidas de proteção e gestão mais eficazes.

Segundo o engenheiro florestal, a análise dos ecossistemas de manguezal identificou, em 2024, um dos maiores níveis de perda observados nos últimos anos, em uma tendência associada ao aumento da frequência e intensidade dos fenômenos climáticos.

Os dados indicam ainda que as províncias de Niassa, no norte de Moçambique, Zambézia e Manica, no centro do país, foram as que mais contribuíram para a perda de cobertura florestal nos últimos dez anos, refletindo uma pressão crescente sobre os recursos naturais e a necessidade de intervenções direcionadas para as áreas mais afetadas.

Segundo o especialista, o monitoramento também permitiu identificar uma expansão gradual das áreas desmatadas para o norte do país, bem como localizar os distritos com maior incidência de perda florestal, fornecendo informações detalhadas para apoiar decisões das autoridades locais e nacionais.

A Unidade de Monitoramento, Relato e Verificação utiliza imagens de satélite e metodologias validadas internacionalmente para acompanhar a evolução do desmatamento, dispondo atualmente de dados históricos que permitem identificar onde, quando e por que razões ocorre a perda de cobertura vegetal em Moçambique.

O coordenador da Unidade de Monitoramento, Relato e Verificação, Aristides Muhate, defendeu que a produção de dados científicos é fundamental para apoiar políticas públicas, orientar investimentos e reforçar a capacidade do país de responder aos desafios das mudanças climáticas.

“Queremos trazer soluções para responder ao desafio da vulnerabilidade climática (…), os dados devem ajudar os tomadores de decisão a saber onde investir, onde os investimentos correm menos riscos de serem afetados pelas ações do clima e onde terão menor impacto sobre os ecossistemas naturais”, declarou Muhate à Lusa.

O responsável destacou que Moçambique possui cerca de 2.700 quilômetros de litoral, cuja proteção deve ser conciliada com os objetivos de desenvolvimento econômico do país, defendendo uma gestão sustentável dos recursos naturais baseada em informações confiáveis e atualizadas.

Muhate alertou que os eventos climáticos estão se tornando “cada vez mais intensos e mais frequentes”, aumentando os impactos sobre as comunidades e os custos associados à resposta a enchentes, inundações e outros desastres naturais.

“É importante e imprescindível investirmos nessas tecnologias, porque elas vão nos ajudar a resolver problemas, decidir onde restaurar ecossistemas, conservar áreas-chave para a biodiversidade e promover atividades econômicas com menor impacto ambiental”, afirmou.

Durante a conferência, os especialistas defenderam o fortalecimento do uso de tecnologias de observação da Terra, da inteligência artificial e da integração de diferentes bases de dados para melhorar o monitoramento ambiental e apoiar estratégias de conservação, adaptação climática e desenvolvimento sustentável.

Fonte: Greensavers

    Você viu?

    Ir para o topo