Após 40 anos de viagens pelo oceano, o iceberg A-23A, popularmente conhecido como “maior do mundo”, se derreteu, anunciou a Nasa (agência espacial americana). A estrutura, que tinha 4 mil quilômetros quadrados quando se desprendeu da Antártida, em 1986, se reduziu a pouco mais de mil no começo do ano, e acabou se desmanchando no Oceano Atlântico Sul.
“Embora vários outros icebergs na era dos satélites tenham sido maiores, o A-23A foi notável por sua longevidade”, destacaram os pesquisadores da Nasa.
Após ficar encalhado nas águas rasas do Mar de Weddell por mais de 30 anos, o A-23A se desprendeu em 2020 e passou vários meses em um vórtice oceânico giratório (uma espécie de grande redemoinho) chamado coluna de Taylor. Quando se desprendeu e seguiu para o norte, quase colidiu com a ilha Geórgia do Sul e permaneceu em águas rasas por vários meses antes de escapar para o oceano aberto, onde foi se fragmentando rapidamente ao longo de 2025, observam os pesquisadores.
Em sua fase final de decomposição, conforme observado por satélites da NASA, o derretimento do gigante liberou nutrientes que provocaram um aumento na abundância de fitoplâncton ao seu redor, atraindo peixes, aves e outros tipos de vida marinha.
A agência possui registros do A-23A desde seu “nascimento”, quando se soltou da Antártida. Na época, o bloco continha uma superfície equivalente a quase três vezes a extensão da cidade de São Paulo. Durante o período em que encalhou na costa do continente, chegou a 6.000 km², quatro vezes o tamanho da capital paulista, segundo a agência estadunidense.
Na imagem de 10 de novembro de 1986, vê-se o iceberg A-23 ao se desprender da plataforma Filchner. “Ele está retratado junto com vários outros icebergs importantes do mesmo evento de desprendimento. O A-23A sobreviveu a todos eles”, destacou a Nasa.
Apesar de se deslocar principalmente em seus últimos dez anos de vida, o iceberg navegou 2.300 quilômetros nos mares do sul do planeta. Nas últimas imagens, a área da A-23A havia diminuído para pouco mais de 170 quilômetros quadrados.
As imagens e dados deixados pelo A-23A e outros icebergs vão alimentar pesquisas sobre os fatores que impulsionam o movimento destes blocos de gelo, desde as correntes oceânicas até o formato do fundo do mar, afirmou a agência.
Fonte: Um só Planeta