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ESTUDO

Crise climática concentra chuvas extremas e podem reduzir disponibilidade de água

Pesquisa publicada na Nature mostra que tempestades mais intensas e estiagens prolongadas dificultam a absorção da água pelo solo, inclusive na Amazônia

15 de maio de 2026
Nilson Cortinhas
2 min. de leitura
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Foto: Getty Images

As mudanças climáticas podem provocar um efeito prejudicial sobre a água no planeta: mais chuva, mas menos água disponível para solos, rios e aquíferos. Um estudo liderado por pesquisadores da Dartmouth College concluiu que a precipitação anual em boa parte do mundo passou a se concentrar em tempestades mais fortes e espaçadas. Este cenário reduz a capacidade de absorção da água pelo solo e favorece a evaporação.

O trabalho analisou registros globais de chuva entre 1980 e 2022 e identificou que o fenômeno ocorre tanto em regiões secas quanto úmidas. A lógica é simples: quando muita água cai em pouco tempo, o solo não consegue absorver tudo. Parte desse volume escorre ou evapora antes de abastecer ecossistemas e reservas subterrâneas.

“Não importa onde você esteja: chuvas mais concentradas significam menos água disponível para a terra”, explicou o autor sênior do estudo e professor associado de geografia em Dartmouth, Justin Mankin, ao site Phys.org.

“Mostramos que esse fenômeno é consistente em escala global, o que o explica fisicamente e o que devemos esperar daqui para frente”, enfatizou Justin.

Os pesquisadores utilizaram um indicador conhecido como coeficiente de Gini para calcular quão distribuídas ou concentradas ficaram as chuvas ao longo do ano. Quanto mais próximo de 1, mais a precipitação se concentra em poucos dias.

Alerta

A Amazônia aparece entre as regiões mais impactadas. De acordo com o estudo, as chuvas na bacia amazônica passaram a se concentrar 30% mais em eventos extremos e períodos secos prolongados desde 1980, a maior mudança registrada globalmente.

O primeiro autor da pesquisa, Corey Lesk, afirmou que a concentração das chuvas já se tornou quase tão importante quanto o volume anual de precipitação para determinar a umidade da terra. “Existem apenas alguns dias do ano em que a chuva pode cair, e se mais água retorna rapidamente para a atmosfera, há pouco que possamos fazer para recuperá-la”, disse o pesquisador ao Phys.org. Os modelos climáticos usados no estudo indicam que o cenário tende a se agravar com o avanço do aquecimento global.

Um aumento médio de 2 °C na temperatura do planeta pode levar 27% da população mundial a enfrentar condições anormalmente secas, mesmo em um contexto de aumento do volume total de chuva.

Administração

A gestão hídrica também está em xeque. Reservatórios e sistemas de abastecimento precisarão lidar com ciclos mais extremos entre enchentes e secas prolongadas, exigindo novas estratégias de armazenamento de água. “Chuvas concentradas em um planeta mais quente vão deixar a superfície terrestre mais seca”, afirmou Mankin. “O que ainda não sabemos é se o aumento futuro do volume total de precipitação conseguirá acompanhar esse processo”.

Fonte: Um só Planeta

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