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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Gelo marinho da Antártica cai a níveis sem precedentes

Aquecimento dos oceanos está corroendo plataformas de gelo antárticas a uma taxa muito mais rápida do que modelos atuais preveem.

13 de maio de 2026
2 min. de leitura
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Foto: Luca Galuzzi/Wikimedia Commons

Durante décadas, parecia que a Antártica estava salva do derretimento acelerado do gelo que ocorre no Ártico. Em 2015, porém, isso mudou: o gelo marinho que circunda o vasto continente gelado parou de se expandir e começou a diminuir drasticamente. Agora, cientistas afirmam ter descoberto por que isso acontece – e suas descobertas representam um sério problema, destacam CNN e Independent.

Em um estudo publicado na Science Advances, pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, identificaram três eventos distintos que perturbaram o equilíbrio do Oceano Antártico circundante, desencadeando um rápido derretimento do gelo.

A pesquisa aponta que as mudanças climáticas causadas pela Humanidade intensificaram os ventos, que, a partir de 2013, começaram a trazer água quente e salgada das profundezas do oceano para mais perto da superfície. Em 2015, ventos intensos misturaram o calor das camadas mais profundas diretamente com a camada superficial, derretendo rapidamente o gelo marinho, principalmente na Antártica Oriental. E desde 2018, o sistema gelo-oceano está preso em um ciclo onde – com menos gelo para derreter – a superfície permanece salgada e quente, impedindo a recuperação do gelo.

A mudança foi tão extrema que vastas áreas de gelo equivalentes ao tamanho da Groenlândia derreteram, levando a níveis recordes de baixa em 2023, diz o autor principal do estudo, o oceanógrafo Aditya Narayanan. Ele frisa que as descobertas são preocupantes, porque a perda massiva de gelo marinho desestabiliza os sistemas de correntes oceânicas do mundo, aquecendo o planeta “muito mais rápido do que o esperado”, reforça.

Outro estudo, publicado na Nature Communications, destaca que o aquecimento dos oceanos parece estar derretendo as plataformas de gelo da Antártica por baixo muito mais rapidamente do que se imaginava. Por isso, seus autores, do Centro de Pesquisa Polar iC3, na Noruega, sugerem que o nível global do mar pode subir mais rápido do que o previsto, explicam Earth.com, Science Daily e phys.org.

As plataformas de gelo – extensões de geleiras gigantescas que flutuam na superfície da água – atuam como suportes que reduzem a velocidade do fluxo de gigatoneladas de gelo para o mar. Os pesquisadores descobriram que longos sulcos em forma de canal na parte inferior dessas plataformas podem aprisionar água oceânica relativamente quente. O que aumenta drasticamente o derretimento local.

“Descobrimos que o formato da parte inferior da plataforma de gelo não é apenas uma característica passiva. Ela pode reter ativamente o calor do oceano exatamente nos locais onde o derretimento extra é mais importante”, explica Tore Hattermann, um dos líderes da pesquisa.

Fonte: ClimaInfo

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