A ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou nesta terça-feira (12/05) que a crescente demanda global por areia, impulsionada pela rápida urbanização e construção, está superando a oferta sustentável e colocando ecossistemas e meios de subsistência em risco.
Cerca de 50 bilhões de toneladas de areia são utilizadas por ano para construção e uma série de outros fins, e a demanda por areia deve dobrar até 2060 nas trajetórias atuais —um ritmo mais rápido do que os estoques conseguem ser repostos, mostrou um relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
A areia é o recurso natural mais explorado no mundo depois da água, mas seu uso é amplamente não regulamentado, e o Pnuma afirmou que ela está sendo consumida mais rapidamente do que pode ser reposta por processos geológicos que levam centenas de milhares de anos.
A extração insustentável de areia está causando degradação ambiental em áreas que abrigam habitats críticos para peixes, tartarugas, aves e caranguejos, além de perturbações às comunidades localmente afetadas, disse o Pnuma.
A crescente demanda e o esgotamento dos recursos de areia em terra estão impulsionando uma mudança para a dragagem marinha, constatou o relatório, com metade das empresas de dragagem operando dentro de áreas marinhas protegidas.
A areia está sendo retirada de ecossistemas naturais e transformada em “areia morta” quando é extraída e convertida em concreto, asfalto e vidro —em vez de ser usada para filtrar água e proteger as costas contra a erosão, afirmou o relatório do Pnuma.
“A areia é nossa primeira linha de defesa contra a elevação do nível do mar, ressacas e salinização de aquíferos costeiros —todos riscos agravados pelas mudanças climáticas”, alertou Pascal Peduzzi, diretor do Banco de Dados de Recursos Globais do Pnuma em Genebra.
Em pequenos estados insulares do Caribe, a mineração de areia causa perda de habitat, poluição e danos a espécies como tartarugas marinhas, podendo também ameaçar as economias locais ao acelerar a erosão das praias e reduzir os estoques de peixes, declarou o grupo.
O relatório também destaca um interesse crescente na mineração de areia de magnetita, às vezes chamada de “areia preta” e que contém minerais valiosos, em regiões que incluem o Sudeste Asiático e a América Latina.
O Pnuma pediu uma governança mais forte, incluindo inventários nacionais de areia e melhor reconhecimento da areia como recurso estratégico, alertando que a supervisão atual permanece fragmentada apesar das repetidas preocupações.
Fonte: Folha de S.Paulo