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FUTURO

Estudo revela 'superpoder' genético que ajudou plantas a sobreviver à extinção dos dinossauros e pode ser chave contra crise climática

Pesquisadores sugerem que a mesma estratégia genética que ajudou plantas a sobreviver há milhões de anos pode aumentar a resiliência dos ecossistemas às mudanças climáticas atuais

13 de maio de 2026
2 min. de leitura
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Ilustração do evento K-T, no final do período Cretáceo. Um asteroide entra na atmosfera da Terra enquanto dinossauros observam. Foto: Getty Images

Um dos eventos mais devastadores da história da Terra — o asteroide que extinguiu os dinossauros há 66 milhões de anos — pode ter favorecido a sobrevivência de muitas plantas com flores. É o que sugere um novo estudo publicado na revista científica Cell.

A pesquisa indica que duplicações naturais no genoma das plantas deram vantagem evolutiva em períodos de crise climática extrema e grandes extinções em massa. Segundo os cientistas, o mesmo mecanismo pode ajudar espécies vegetais a enfrentar as mudanças climáticas atuais.

Os pesquisadores analisaram o genoma de 470 espécies de plantas com flores e identificaram sinais de antigas duplicações genéticas — fenômeno conhecido como poliploidia, quando organismos passam a ter múltiplas cópias de seus cromossomos.

Esse processo é relativamente comum nas plantas. Bananas cultivadas, por exemplo, possuem três conjuntos de cromossomos, enquanto algumas variedades de trigo chegam a ter seis.

Em condições ambientais estáveis, carregar genomas maiores costuma representar um custo biológico: exige mais energia, aumenta o risco de mutações e pode prejudicar a fertilidade. Por isso, muitas dessas duplicações desaparecem ao longo da evolução.

Mas o estudo mostra que, em momentos de colapso ambiental, o excesso de material genético pode virar uma vantagem. Mais cópias de genes aumentam a diversidade genética e ampliam a capacidade das plantas de desenvolver novas funções, incluindo maior tolerância a calor, seca e outras condições extremas.

Ao cruzar os dados genéticos com registros fósseis de 44 espécies vegetais antigas, os cientistas identificaram um padrão: as duplicações genômicas que sobreviveram ao longo de milhões de anos coincidem com períodos de mudanças climáticas severas.

Entre eles estão a extinção causada pelo asteroide no fim do período Cretáceo, episódios de resfriamento global e o Máximo Térmico Paleoceno-Eoceno, há cerca de 56 milhões de anos — fase marcada por rápido aquecimento do planeta.

O estudo ajuda a explicar um antigo enigma da biologia evolutiva: por que a poliploidia é tão frequente nas plantas, mas apenas algumas dessas duplicações persistem por milhões de anos.

Para os autores, os resultados trazem pistas importantes sobre o futuro das plantas em um planeta mais quente. Durante o episódio de aquecimento global ocorrido há 56 milhões de anos, as temperaturas da Terra subiram entre 5 °C e 9 °C ao longo de aproximadamente 100 mil anos — uma escala comparável à transformação climática atual, embora hoje o processo esteja ocorrendo muito mais rapidamente e puxado pela queima massiva de combustíveis fósseis.

“Os dados do passado sugerem que a poliploidia pode ajudar as plantas a lidar com condições ambientais estressantes”, afirmou o pesquisador Yves Van de Peer, da Ghent University, na Bélgica. Os autores destacam, no entanto, que a velocidade das mudanças climáticas contemporâneas representa um desafio sem precedentes para os ecossistemas atuais.

Fonte: Um só Planeta

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