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RELATÓRIO

MapBiomas: Fragmentação de vegetação nativa cresce 163% em 38 anos

Pantanal e Amazônia foram os biomas mais afetados; o tamanho médio dos fragmentos diminuiu de 241 para 77 hectares no período.

14 de maio de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Arquivo/Polícia Federal

Entre 1987 e 2023, as áreas de vegetação nativa fragmentadas no Brasil passaram de 2,7 milhões para 7,1 milhões de hectares – um aumento de 163%. Os dados são do módulo de Degradação do MapBiomas, divulgado na 4ª feira (13/05).

Segundo o Neomondo, a atualização de 2025 do módulo vem com uma funcionalidade inédita: pesquisadores conseguiram contabilizar, a partir de meio hectare, todos os fragmentos de vegetação nativa do território nacional – florestas, savanas, campos e áreas pantanosas. O aumento no número de fragmentos ao longo de 38 anos evidencia um processo ativo e acelerado de deterioração ecológica.

A análise do MapBiomas ainda revela que 5% da vegetação nativa brasileira (26,7 milhões de hectares) está em pequenos fragmentos – áreas menores que 250 hectares – com destaque para a Mata Atlântica. No bioma, a condição atinge até 28% da vegetação nativa remanescente, informa o Um Só Planeta.

“Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta o risco de extinções locais de espécies, diminui a chance de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e aumenta a proporção do efeito de borda”, explica Dhemerson Conciani, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas.

O Pantanal e a Amazônia foram os biomas com os maiores aumentos na fragmentação, de 350% e 332%, respectivamente. O ranking percentual segue com o Pampa (285%), Cerrado (172%), Caatinga (90%) e Mata Atlântica (68%). Além disso, o tamanho médio dos fragmentos diminuiu de 241 hectares para 77 hectares – baixa de 68% – no período, informam Projeto Colabora e Pará Terra Boa.

A principal causa da fragmentação dos biomas brasileiros é o desmatamento para fins agropecuários, urbanos e de abertura de estradas. Outros fatores, como a área de borda, o fogo, a vegetação secundária e o corte seletivo, também entram na conta. Segundo o documento, 24% da vegetação nativa brasileira está exposta a pelo menos um vetor de degradação.

Outra novidade do estudo foi o mapeamento dos distúrbios de dossel (copas das árvores mais altas), destaca o Jornal de Brasília. Quando essa camada sofre alteração, abre-se uma clareira, rompendo a continuidade original da floresta. Entre 1988 e 2024, pelo menos 7% da cobertura florestal da Amazônia Legal (24,9 milhões de hectares) apresentou algum sinal de distúrbio de dossel por pelo menos um mês.

Na floresta alagável, os maiores registros coincidiram com anos de seca intensa, como 2016, 2023 e 2024. “A previsão de ocorrência de El Niño para este ano indica condições favoráveis para novas secas na região, o que tende a facilitar a ocorrência desses distúrbios nesse tipo de floresta”, alerta Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas na equipe da Amazônia.

De acordo com Eduardo Vélez, pesquisador da entidade na equipe do Pampa, a degradação de um remanescente de vegetação nativa muitas vezes pode ser minimizada ou revertida, mas é necessário que os vetores sejam interrompidos. Caso isso não aconteça, a capacidade de recuperação biológica natural das áreas afetadas pode ficar fortemente comprometida.

Fonte: ClimaInfo

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