Mais de dois anos após desaparecer durante as enchentes históricas que devastaram o Rio Grande do Sul, o cachorro Tigre voltou para casa. O reencontro aconteceu na quinta-feira (09/07), em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, depois que sua tutora, Giovana Menneman Machado, o identificou entre os animais cadastrados no site da Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal. Ela havia acessado a plataforma com a intenção de adotar um filhote, mas reconheceu imediatamente o olhar e as orelhas do animal que a família procurava desde 2024.
Adotado pouco antes das cheias que atingiram o estado em maio daquele ano, Tigre foi separado da família durante as operações de resgate. Desde então, Giovana e seus familiares mantiveram as buscas pelo cão, sem obter notícias sobre seu paradeiro. O reencontro ocorreu de forma inesperada, quando a tutora consultava a lista de animais acolhidos pelo município.
“Entrei no site da Secretaria para adotar um filhote e reconheci o olhar e as orelhinhas dele. O Tigre é um membro da nossa família e esse reencontro foi emocionante”, relatou.
Segundo a Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal de Canoas, responsável pelo acolhimento, identificação e divulgação dos animais resgatados durante a tragédia climática, Tigre permanecia registrado entre os animais considerados perdidos e disponíveis para adoção, aguardando que algum tutor o reconhecesse.
A família afirma que jamais deixou de procurar o cão.
“Adotamos o Tigre pouco antes da enchente, depois de perdermos outro cachorro da família. Durante a enchente, ele foi resgatado e acabou se separando de nós. Passamos mais de um ano procurando por ele e nunca perdemos a esperança”, contou Giovana.
As enchentes de maio de 2024 provocaram uma das maiores operações de resgate de animais já realizadas no Brasil. Além das perdas humanas e da destruição de milhares de moradias, cães, gatos e outros animais foram arrastados pelas águas, separados de suas famílias ou encontrados em áreas isoladas, exigindo uma ampla mobilização de voluntários, organizações de proteção animal, médicos-veterinários e órgãos públicos.
De acordo com dados do Governo do Rio Grande do Sul, cerca de 20 mil animais passaram por abrigos temporários durante o período mais crítico da emergência. Para enfrentar a crise, o Estado lançou, em agosto de 2024, um programa voltado à adoção dos animais acolhidos e criou uma plataforma destinada a facilitar o reencontro entre animais desaparecidos e seus tutores. O serviço, posteriormente, foi retirado do ar em razão das restrições previstas pela legislação eleitoral.
O governo estadual também destinou R$ 7,2 milhões aos 95 municípios em situação de calamidade. Desse total, R$ 5,6 milhões financiaram um auxílio mensal às prefeituras, calculado em R$ 188,85 por animal abrigado, para custear alimentação, atendimento veterinário, medicamentos e outros insumos necessários ao bem-estar dos animais resgatados.





