Em vez do som da bola quicando e das partidas disputadas diariamente, a quadra esportiva Los Palafitos, em Mejillones, no norte do Chile, permanecerá em silêncio pelos próximos 60 dias. O motivo da interdição é a proteção de um ninho de beija-flor construído na estrutura de uma das cestas de basquete, onde uma fêmea está cuidando de seus ovos à espera do nascimento dos filhotes.
De acordo com a prefeitura, a descoberta ocorreu graças à atenção de crianças que utilizavam o espaço para jogar futebol. Ao perceberem a presença do ninho, elas comunicaram a situação às autoridades locais, que acionaram equipes técnicas para verificar o caso.
A inspeção foi realizada por profissionais da Direção de Meio Ambiente, Limpeza e Embelezamento (Dimao), da Fundação Gaviotín Chico e da Corporação Municipal de Esportes e Recreação de Mejillones (CMDRM). Os especialistas confirmaram que uma fêmea de beija-flor havia construído o ninho na tela de proteção da quadra, em um local sujeito à intensa circulação de pessoas e à prática esportiva.
Diante da constatação, as instituições decidiram fechar preventivamente o espaço por dois meses. Segundo a administração municipal, o objetivo é garantir que a reprodução ocorra sem interferências humanas, reduzindo o risco de abandono do ninho ou de mortalidade dos filhotes.
Em publicação nas redes sociais, a prefeitura agradeceu a compreensão da população e explicou que a interrupção temporária das atividades busca “proteger o processo natural de incubação e nascimento dos filhotes”.
O diretor da Dimao, Fernando Campos, reforçou o apelo à colaboração da comunidade. “Contamos com a sua compreensão, pois estamos aguardando que ela possa fazer seu ninho em paz e que seus filhotes nasçam”, afirmou.
A iniciativa também foi elogiada pela Fundação Gaviotín Chico. Bárbara Olmedo, representante da organização, destacou que a legislação chilena protege os ninhos das aves silvestres. Segundo ela, a Lei de Caça do país proíbe a remoção de ninhos e ovos, medida destinada a preservar o sucesso reprodutivo das espécies nativas e evitar impactos sobre suas populações.
O caso mostra como medidas simples de gestão urbana podem favorecer a coexistência entre atividades humanas e a fauna urbana. Em vez de remover o ninho ou deslocar a ave, o município optou por adaptar temporariamente o uso do espaço público às necessidades biológicas do beija-flor.
A decisão também destaca o papel da participação da comunidade na proteção da biodiversidade. A observação atenta das crianças foi determinante para que as autoridades identificassem a situação antes que o ninho fosse acidentalmente destruído pelas atividades esportivas.
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