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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A ciência explica por que há cada vez menos insetos

Especialistas alertam que o rápido desaparecimento desses animais representa uma séria ameaça à natureza e pedem soluções urgentes para evitar maiores danos.

4 de abril de 2026
Lucía Martín Payo e Greg Heilman
3 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Pixabay

Embora essa crise tenha passado praticamente despercebida durante anos, as evidências agora deixam pouca margem para dúvidas. O mundo não está apenas perdendo insetos, mas a rica diversidade que antes os definia também está diminuindo a um ritmo alarmante.

Essa é a principal advertência de uma equipe de pesquisadores liderada por Florian Menzel, professor do Instituto de Evolução Molecular e Biologia Organísmica da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz. Estamos testemunhando um “colapso global” nas populações de insetos em tempo real, alerta o especialista. Ele também ajudou a liderar a publicação de um relatório especial com o objetivo de documentar esse declínio e compreender melhor suas causas e consequências.

O estudo, publicado pela Royal Society na revista Biology Letters, reúne dois artigos de opinião, dez análises de longo prazo baseadas em dados que abrangem aproximadamente de 10 a 120 anos, e dois estudos em larga escala focados em como os insetos sobrevivem em seus ecossistemas.

As causas por trás desse fenômeno

A pesquisa aponta três principais fatores por trás dessa tendência: a intensificação do uso da terra pelo ser humano, as mudanças climáticas e a disseminação de espécies animais invasoras por meio do comércio global. A situação é ainda mais grave porque esses três fatores se reforçam mutuamente.

Menzel explica que um ecossistema já danificado pela atividade humana é muito mais vulnerável às mudanças climáticas, e o mesmo se aplica aos insetos que ali vivem. Além disso, espécies invasoras têm muito mais facilidade para se estabelecer nesses habitats degradados, muitas vezes deslocando as espécies nativas no processo. Como resultado, enquanto a maioria das espécies locais declina ou desaparece, um pequeno número de espécies invasoras prospera e acaba dominando ambientes inteiros.

Se perdermos essa diversidade, a natureza se torna menos estável. Isso pode ser observado nos zangões: quando há menos espécies distintas, as populações de plantas que dependem delas também começam a diminuir. No fim das contas, perder insetos significa também perder a polinização e o controle natural de pragas. Isso enfraquece a própria base da cadeia alimentar e, em última instância, afeta tudo, desde aves e répteis até grandes mamíferos.

Medidas urgentes para evitar a extinção

Apesar da gravidade da situação, o editorial, escrito em conjunto com a bióloga Nadja Simons e o professor de entomologia florestal Martin Gossner, descreve várias maneiras de combater as ameaças que essas comunidades enfrentam atualmente.

Em primeiro lugar, os pesquisadores defendem o uso de métodos padronizados para monitorar a diversidade de insetos em vários países , com ênfase especial em regiões do mundo onde a verdadeira condição das populações de insetos ainda é pouco compreendida.

Eles também propõem a criação de uma grande rede de reservas naturais interconectadas para que as espécies possam se deslocar de um habitat para outro. Isso permitiria que insetos menos tolerantes ao calor migrassem de áreas afetadas por temperaturas extremas causadas pelo aquecimento global para regiões mais frias ou altitudes mais elevadas, onde poderiam sobreviver.

Por fim, eles enfatizam a necessidade urgente de controlar a disseminação de espécies invasoras que viajam por meio do comércio e do turismo. Segundo os pesquisadores, esse problema tem continuado a crescer e “tornou-se extremamente sério nas últimas décadas”.

Traduzido de Diário AS.

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