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RECORDES DE TEMPERATURA

Terra retém calor em ritmo recorde e aquecimento global chega a 1,37°C em 2025

Calor retido no planeta dobra em poucas décadas e preocupa cientistas

11 de junho de 2026
Vanessa Oliveira
4 min. de leitura
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Foto: Pixabay

A Terra está acumulando calor cada vez mais rápido, e o aquecimento global, intensificado pela queima massiva de combustíveis fósseis, atingiu 1,37°C em 2025 em relação aos níveis pré-industriais. Mantido o ritmo atual de emissões, o limite de limitar a alta do termômetro mundial a 1,5°C até o final deste século, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris, poderá ser ultrapassado em cerca de quatro anos.

Os dados fazem parte da nova edição do relatório Indicadores da Mudança Climática Global, divulgado nesta semana por uma equipe internacional de mais de 70 cientistas de 17 países.

O estudo mostra que o chamado “desequilíbrio energético da Terra”, indicador que mede a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que consegue devolver ao espaço, atingiu níveis recordes. Quanto maior esse desequilíbrio, mais calor fica retido no sistema climático.

Segundo o pesquisador Piers Forster, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e coordenador do estudo, o indicador revela a velocidade das mudanças climáticas.

“Sem a influência humana, esse valor deveria estar próximo de zero. No entanto, ele vem aumentando desde a década de 1970 e hoje alcança um recorde histórico, tendo dobrado nas últimas décadas”, afirmou.

O relatório também aponta que as emissões globais de gases de efeito estufa atingiram o maior nível já registrado em 2024, com 56,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. A principal fonte continua sendo a queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural.

“Nosso estudo demonstra que praticamente todo o aquecimento registrado na última década foi provocado por atividades humanas”, disse Samantha Burgess, líder estratégica para clima do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus.

Mais calor, mais impactos negativos

Além do aumento das temperaturas, o estudo registra aceleração em diversos impactos já observados ao redor do mundo. O nível médio dos oceanos atingiu um novo recorde em 2025, acumulando uma elevação de 23 centímetros desde 1901. Embora o número possa parecer pequeno, os pesquisadores alertam que ele já contribui para o aumento das inundações em áreas costeiras vulneráveis.

“Isso pode soar pouco, mas já está ampliando os riscos de enchentes costeiras em regiões baixas do planeta, afetando meios de subsistência e ecossistemas”, explicou Aimée Slangen, pesquisadora do Instituto Real de Pesquisa Marinha dos Países Baixos.

O aquecimento dos oceanos também tem provocado ondas de calor marinhas mais frequentes e intensas. Em 2025, os mares do planeta registraram 65 dias de ondas de calor marinhas. O número de dias com esse tipo de evento mais do que triplicou desde 1991.

Segundo June-Yi Lee, pesquisadora da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul, esses episódios afetam a biodiversidade, a pesca e até a proteção natural oferecida pelos ecossistemas costeiros.

“As ondas de calor marinhas estão se tornando mais frequentes e representam ameaças à produção de alimentos, às economias costeiras e aos ecossistemas marinhos”, afirmou.

Orçamento de carbono está perto do limite

O estudo também atualiza uma das métricas mais acompanhadas pela ciência climática: o orçamento de carbono, que representa quanto dióxido de carbono ainda pode ser emitido para que o aquecimento global permaneça abaixo de 1,5°C.

A partir do início de 2026, restariam cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂ disponíveis nesse orçamento. No ritmo atual de emissões globais, esse volume seria consumido em aproximadamente três anos.

“Estamos emitindo mais gases de efeito estufa do que nunca. Isso aumenta sua concentração na atmosfera, retém mais calor e desequilibra o sistema climático do planeta”, diz Matt Palmer, pesquisador do Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido.

Os autores destacam que, embora o crescimento das emissões esteja mais lento do que nas décadas passadas, como a quantidade desses gases já acumulada na atmosfera é muito alta, o aquecimento global e as mudanças climáticas seguem avançando rapidamente. Por isso, defendem uma aceleração dos esforços globais para reduzir o uso de combustíveis fósseis e limitar o aquecimento nas próximas décadas.

Embora o aquecimento global tenha alcançado 1,37°C em 2025, os cientistas alertam que esse não é o ponto de chegada. Se as emissões continuarem próximas dos níveis atuais, a temperatura média do planeta poderá subir cerca de 2,8°C até 2100 — quase o dobro do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris. O planeta caminhará para um futuro mais quente, com eventos extremos mais frequentes, perdas econômicas crescentes e impactos cada vez maiores sobre a segurança alimentar, a saúde e os ecossistemas.

Fonte: Um só Planeta

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