Nas praias de estuários, onde o Oceano Atlântico se mistura às águas doces que brotam do subsolo dos manguezais, o maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus) tem um único objetivo: se alimentar. Enquanto uma ave do grupo faz a vigília, as outras capturam, com seus bicos especializados e incansáveis, os mariscos, as ostras, os caracóis e as minhocas que habitam os solos lamosos.
Logo chegará o momento de migrar — e é preciso dobrar de peso para aguentar a longa viagem.
Após viverem cerca de oito meses (de setembro a abril) entre as áreas úmidas costeiras do litoral brasileiro e a Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul, os maçaricos-de-papo-vermelho iniciam, a cada mês de maio, um longo voo de retorno ao Hemisfério Norte. No destino final, estão as regiões frias e desérticas da tundra ártica, especialmente ao norte do continente americano. É ali, entre junho e agosto, no verão setentrional, que ocorre o período reprodutivo.
Mesmo antes da jornada começar, nas praias de Macau, Guamaré e Galinhos, municípios do litoral do Rio Grande do Norte que integram a Bacia Potiguar, já é possível assistir a um evento de preparação: as aves exibem no peito a coloração avermelhada, típica plumagem nupcial.
Entre as aves migratórias, o maçarico é uma das que percorre as maiores distâncias: voa por cerca de seis dias e seis noites sem dormir, comer ou beber. Após deixar o Brasil, são cerca de 8 mil quilômetros percorridos até a próxima escala: a Baía de Delaware, na costa nordeste dos Estados Unidos. Dali, a jornada segue rumo ao Ártico; ao longo de um ano, o percurso de ida e volta pode chegar a 30 mil km. O recordista mais notório entre as aves, no entanto, é o fuselo (Limosa lapponica): o pequeno visitante migratório da costa brasileira estampa as páginas do Guinness Book por voar por até 11 dias sem pausas.
Segundo a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil), o país registra 54 espécies de aves limícolas. O termo deriva do latim limus (“lama”) e colere (“habitar” ou “viver em”) e define animais que habitam praias, estuários, manguezais e lagoas rasas. Sua dieta é composta por pequenos invertebrados de ambientes lamacentos. Dentre as espécies registradas, algumas são residentes, como o quero-quero (Vanellus chilensis), e outras migram a partir do Cone Sul, como a batuíra-de-coleira-dupla (Charadrius falklandicus). Outras 34 chegam do Hemisfério Norte e dependem de uma cadeia contínua de áreas úmidas saudáveis para completar suas jornadas.
Em 2024, a Bacia Potiguar foi reconhecida como “sítio de importância regional” pela Rede Hemisférica de Reservas para Aves Limícolas (WHSRN, na sigla em inglês), o que indica que se trata de uma região essencial para a vida selvagem.
“Cobrindo mais de 8,5 mil hectares, esta região costeira no Brasil foi reconhecida por seu papel vital no apoio à conservação de aves migratórias”, diz o site da WHSRN, destacando a necessidade de proteger o C. canutus.
Categorizado como espécie vulnerável, o maçarico-de-papo-vermelho sofre com a redução da oferta de alimento na Baía de Delaware. Já no Brasil, nos últimos anos, os riscos estão associados ao declínio da qualidade do habitat, em função da atividade humana nas praias. As mudanças climáticas também exercem impacto crescente sobre a continuidade dessa e de outras espécies: as aves dependentes de zonas úmidas costeiras podem perder mais de 50% de seus habitats em até 50 anos, segundo estudos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
“As aves limícolas funcionam como uma espécie de ‘termômetro ambiental’. Elas são bioindicadoras e indicam se os ambientes estão saudáveis ou não”, disse João Damasceno, coordenador do projeto Flyways, conduzido pela SAVE Brasil com o apoio do Instituto Neoenergia. O trabalho tem como foco a conservação dessas aves na Bacia Potiguar.
“Devido aos efeitos provocados pelo aquecimento global, há áreas que têm sofrido impactos”, disse Damasceno, também responsável pelo estudo da UFRN mencionado acima. “E isso se reflete nessas aves, principalmente em áreas utilizadas para a [sua] alimentação.”
A lama como laboratório
Pelos canais de maré — em uma canoa motorizada, a pé pela praia ou entre as águas rasas e o lodo —, uma pequena equipe da SAVE Brasil percorre uma área de estudo. Censos são realizados trimestralmente pela organização em trechos georreferenciados de 1 km, totalizando 20 km ao longo da faixa costeira entre Macau, Guamaré e Galinhos. Durante o trajeto, a equipe registra as aves limícolas avistadas a olho nu, com binóculos ou luneta, sempre no horário de maré baixa. É quando os bancos de lama ficam expostos, tornando o alimento mais acessível.
A delimitação da área de monitoramento combina critérios ecológicos e articulação institucional. A equipe da SAVE dialoga com o setor salineiro e com administrações municipais para incorporar novas áreas aos 8,5 mil hectares que compõem a Bacia Potiguar, o que pode levar o censo a abranger até 15 mil hectares, ampliando a área de pesquisa.
Cavalos-marinhos e tartarugas também fazem parte da fauna local. Durante as travessias, pequenos peixes até chegam a saltar para dentro da embarcação. A biodiversidade se explica: além de ter importância reconhecida pela WHSRN, a região costeira do estado abriga uma Área Importante para Raias e Tubarões (conhecida pela sigla ISRA, em inglês), título concedido a locais essenciais à sobrevivência de espécies marinhas.
Em março de 2026, durante os três dias de realização do censo, especialistas registraram 3.508 aves limícolas — sendo 774 maçaricos-de-papo-vermelho. Os números se mantiveram próximos aos de pesquisas anteriores. “O censo é uma das principais ferramentas para identificar como as espécies utilizam o habitat. Agora que a gente sabe quando elas chegam e quando vão embora, nosso objetivo é entender onde essas espécies estão, para ajudar os gestores públicos a lidar com atividades antrópicas sem causar impacto nas aves que se alimentam ali”, disse Damasceno.
De acordo com especialistas, entre os principais exemplos de ações antrópicas danosas ao ecossistema costeiro estão a prática de kitesurf e a circulação de veículos terrestres nas areias da praia.
Em um dos dias de trabalho, uma surpresa interrompeu a contagem de espécies. “É uma ave rara de se ver por aqui”, disse o coordenador do projeto ao avistar um fuselo, que voa sem parar do Alasca à Tasmânia, estado insular da Austrália, em uma viagem de mais de 13 mil km.
As aves limícolas se deslocam ao longo de rotas que funcionam como “rodovias aéreas”, conectando os hemisférios. Essas são conhecidas na literatura internacional como “flyways”, inspiração para o nome do projeto em terras potiguares. Nas Américas, três grandes rotas migratórias foram identificadas: a Atlântica, a Central e a do Pacífico. No Brasil, predominam a Atlântica — percorrida por aves que migram ao longo do litoral até o Cone Sul — e a Central, usada por animais que atravessam o interior do continente, passando pela Amazônia e pelo Pantanal antes de seguir rumo à região Sul do Brasil.
A proteção dessas espécies que cruzam fronteiras e dependem de habitats conectados esteve entre os objetivos da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em março de 2026, em Campo Grande (MS).
Entre os avanços para a conservação de aves limícolas, definiu-se a inclusão do maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus) e do maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica) no Apêndice I da convenção. A lista reúne espécies migratórias ameaçadas de extinção e exige ações globais de proteção por parte dos países signatários.
As nações participantes também se comprometeram a implementar a Iniciativa para as Rotas Migratórias das Américas. A medida prevê a proteção de áreas-chave ao longo das flyways, a ampliação do monitoramento de populações selvagens, a integração de políticas públicas entre países e o envolvimento de comunidades locais na redução de ameaças à biodiversidade.
A COP15 também lançou o Atlas das Rotas Migratórias das Américas, uma plataforma para o mapeamento de rotas, habitats críticos e ameaças ambientais a dezenas de espécies vulneráveis. A ferramenta conta com registros colaborativos do banco de dados digital eBird, considerado o maior projeto global de ciência cidadã em defesa da biodiversidade de aves.
O mar avança — e os problemas surgem
Mas não são apenas as aves limícolas que estão sentindo os efeitos das mudanças climáticas na Bacia Potiguar.
“Imagina se esses mangues acabam. Onde é que a gente ia tirar peixe? Aqui é um berçário, entendeu? Todo tipo de peixe se cria aqui.” O desabafo é de Luiz Luna Filho, pescador desde os 8 anos. Hoje com 83, o morador do litoral potiguar conta que já sente as mudanças na paisagem e a diminuição na diversidade de pescados. “O peixe também tem rabo e cabeça, né? E tem juízo. Ele vai, ele se muda para um canto e para outro”, disse à Mongabay.
Um relato similar vem de Francicleide Ferreira, marisqueira e líder comunitária conhecida como Bibinha. Ela também conta que já nota as mudanças: “Antes tinha muito manguezal, hoje já não vemos tanto.”
Já Antônia Amarantos Sousa, também marisqueira, fala das longas distâncias que precisa percorrer de barco para trabalhar — e da dificuldade de encontrar os mesmos moluscos que dão de comer às aves migratórias. “O mar está vindo e aterrando o marisco. Para tirar], a gente passa mais de uma hora porque ficou muito distante.” Os profissionais da região costeira também notaram algo novo sobre as aves. “Quando eu era pequena, a gente via muitos pássaros — maçarico, garça, bico-torto. Hoje em dia diminuiu bastante”, disse Vanuza Nascimento, que começou a coletar mariscos aos 7 anos.
A partir do conhecimento tradicional da população, o projeto Oficinas de Cartografia Ancestral, realizado por pesquisadores junto às marisqueiras potiguares, busca reconstruir a memória ambiental da Bacia Potiguar e explicar essas mudanças.
A atividade tem como objetivo identificar áreas de manguezal degradadas ao longo do tempo, partindo das memórias e percepções de mulheres que vivem e trabalham nesses ecossistemas há gerações. Os relatos indicam que, desde a década de 1980, áreas extensas de manguezal desapareceram — alerta corroborado por pesquisas recentes. Com isso, houve uma redução de mariscos e de outros organismos que sustentam a cadeia alimentar na região. Em visitas de campo, a equipe da SAVE Brasil também encontrou vestígios de paleomangues (ecossistemas de manguezal antigos) e evidências de florestas soterradas pelo avanço das dunas e pela erosão costeira.
Esses achados confirmam a percepção da comunidade.
A ciência mostra que as transformações climáticas vêm redesenhando a paisagem do litoral nordestino de diversas formas — e os rios também participam dessa história. “Os rios nordestinos são muito barrados”, disse Venerando Eustáquio Amaro, professor de Engenharia Civil e Ambiental da UFRN. “Isso levou a uma situação de déficit [sedimentar], de redução na quantidade de sedimentos que a gente tem na zona costeira.”
Criadas para enfrentar uma escassez hídrica cada vez mais severa, as barragens permitem armazenar água durante os períodos chuvosos e liberá-la de forma controlada durante as secas. Isso ajuda a garantir o abastecimento.
No entanto, como efeito colateral, essas estruturas retêm areia e outros sedimentos que antes eram transportados pelos rios até o litoral, o que ‘alimentava’ as praias. Sem essa reposição contínua, a costa passa a ter menos areia disponível para compensar o que o mar remove diariamente — um fenômeno que pesquisadores passaram a chamar de “praias famintas”.
Ato contínuo, sem esse aporte natural de sedimentos, a erosão costeira avança.
Segundo Amaro, medições técnicas indicam um aumento anual da potência das ondas em alguns pontos do litoral. “Existe um percentual, em alguns trechos, de mais de 0,5% de incremento ao ano na potência dessas ondas, que é a capacidade que elas têm de erodir a costa”, disse. O especialista explica que o aquecimento do mar e as alterações nos ventos também intensificam correntes, ressacas e tempestades, acelerando o recuo de falésias e a perda de praias. Essas mesmas áreas afetadas atuam como uma defesa natural das cidades e como zonas de alimentação para aves limícolas.
Além disso, o avanço do mar, conforme pesquisas demonstram, já é percebido em áreas urbanas. Em cidades costeiras construídas sobre falésias ou muito próximas da linha d’água, episódios de invasão marinha durante a maré alta e eventos extremos tornam-se mais frequentes; é o caso do município de Galinhos. Como resultado, a combinação entre erosão, chuvas intensas e ocupação urbana desordenada obriga algumas comunidades a recuar.
Para as aves limícolas, os efeitos são diretos e indiretos. A elevação do nível do mar e o aumento da energia das ondas reduzem as faixas de praia na maré baixa, onde essas espécies se alimentam — um fenômeno semelhante ocorre no litoral do Amapá. Áreas de lama, manguezais e bancos de areia ficam mais estreitos ou desaparecem. Ao mesmo tempo, o aquecimento global afeta o ciclo de vida das aves desde a reprodução, como no Ártico canadense, onde temperaturas mais altas já reduzem o sucesso de eclosão dos ovos.
As transformações climáticas também atingem a base da cadeia alimentar: com o aumento da temperatura da água e do solo, microrganismos e invertebrados que servem de alimento para as aves se tornam menos abundantes, dificultando o ganho de peso necessário aos pássaros antes de suas longas migrações.
O custo ambiental da energia verde
Além da pressão do clima, a Bacia Potiguar enfrenta o assédio de grandes empreendimentos energéticos. O litoral do Rio Grande do Norte registra ventos constantes e abriga o maior polo de energia eólica do Brasil, o que impulsiona a rápida expansão de parques eólicos e de projetos associados ao hidrogênio verde. No entanto, essas iniciativas muitas vezes avançam sobre áreas costeiras sensíveis e territórios onde vivem comunidades pesqueiras. O assunto já foi destaque em outra reportagem da Mongabay.
Segundo Amaro, propostas recentes (e já em fase de avanço) preveem a produção de hidrogênio a partir de amônia para fins de exportação, com operações marítimas de transbordo do produto entre navios a cerca de 15 a 20 quilômetros da costa. “Quando você faz essa transferência, você tem que fazer sob condições de muito equilíbrio. O hidrogênio é muito instável.” O especialista explica que o aumento da temperatura do mar e da energia das ondas pode ampliar os riscos dessas operações.
Em termos de gestão ambiental, a preocupação envolve, ainda, o licenciamento e os impactos de projetos que podem pressionar ecossistemas já fragilizados. Carla Fernandes, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), entende que o cenário exige cautela: “Frente às mudanças climáticas e ao aquecimento do oceano, vemos um contrassenso: grandes empreendimentos ditos renováveis chegando com a justificativa do ‘verde’, mas também ameaçando a biodiversidade”, disse.
Damasceno também faz alertas: “Estamos prestes a ver a instalação de empreendimentos eólicos no oceano, por exemplo, com linhas de transmissão atravessando áreas usadas pelas aves como rotas migratórias.”
Em alguns trechos instalados já há o registro de aves limícolas mortas por colisão com cabos, sobretudo em áreas de deslocamento entre pontos de descanso e alimentação. A instalação de marcadores de sinalização nas linhas melhorou a visibilidade e reduziu esses registros — mas novos projetos ampliam as incertezas. Além dos riscos de colisão, segundo os especialistas, ainda faltam estudos aprofundados sobre os efeitos do ruído gerado por esse tipo de empreendimento sobre as aves.
Vigília constante
“Olha, o senhor acabou de matar duas tartarugas!”, disse Damasceno, entre o bom humor e a indignação. Manobras e mais manobras foram necessárias para resgatar uma sacola plástica e uma garrafa PET que haviam sido arremessadas na água pelo motorista do barco que levava a equipe do SAVE Brasil à área de realização do censo.
“As pessoas que pescam e utilizam esses materiais deveriam ter mais consciência para não descartar [lixo] na água”, disse Andrieli Queiros, graduanda em Biologia e voluntária do projeto Flyways. “A gente fez uma limpeza no mangue e tem muito material jogado, acumulado, sabe? É como se não se importassem com o meio ambiente”, complementou Naiade Ferreira, voluntária da iniciativa de campo e de mutirões de limpeza na costa.
Como a coleta de lixo não é diária nos municípios — que têm a pesca como meio de subsistência —, os restos de peixe armazenados nas casas exalam um cheiro desagradável e, por vezes, são descartados diretamente na água em sacolas plásticas. Parte desse resíduo fica presa nos manguezais.
“De 15 em 15 dias, eu pago uma pessoa para limpar o mangue. O que a gente encontra é plástico, rede velha, até porta de geladeira. A maré traz tudo de volta para a área onde as pessoas pescam e tomam banho”, lamentou o morador Francisco Hélio Soares, que passou a investir na limpeza periódica da área de mangue próxima à sua lanchonete, em Macau.
Outra ameaça à biodiversidade local é a ausência de saneamento básico na região. Uma análise técnica do Instituto Trata Brasil mostrou que, em 2023, apenas 33,79% da região Nordeste dispunha de coleta de esgoto. Nem mesmo a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, nos municípios de Macau e Guamaré, garante medidas para impedir o escoamento de esgoto pelas ruas e sua chegada ao mar.
Há, no entanto, um grande esforço de pesquisa e conscientização ambiental na região.
“Esta unidade de conservação se tornou um ambiente de pesquisa para instituições e universidades. As ONGs foram elaborando projetos, participando de editais, e isso atrai recursos para cá”, disse Arlete Oliveira, moradora da reserva e professora.
O trabalho de conscientização ambiental também chega às escolas. Conhecido como o “Rodrigo Hilbert de Macau”, apelido que ganhou por “solucionar de tudo um pouco” na cidade, o estudante de Biologia e tatuador Geilson Araújo fez as aves limícolas pousarem nos braços das crianças em forma de tatuagens. Na pele dos pequenos, elas duram apenas até o próximo banho — mas, dentro de casa, passaram a ocupar espaço nas conversas familiares.
“Quando a gente ia para eventos com crianças, percebíamos que elas gostavam dessa parte mais lúdica. Foi aí que surgiu a ideia de fazer tatuagens com tinta lavável e antialérgica. E foi um sucesso”, disse Geilson. A partir dessa experiência, as atividades evoluíram para a pintura de murais, jogos, teatro de fantoches e encontros mensais em escolas da reserva e de municípios vizinhos. “Quando a gente fala que um chiclete pode ser confundido com alimento por uma ave, as crianças ficam impactadas e cobram atitudes dos pais.”
Como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas, a SAVE Brasil iniciou, em 2026, um projeto piloto de restauração de manguezais na Bacia Potiguar. Cerca de cem mudas foram plantadas — e a meta é chegar a pelo menos trezentas ainda em 2026, com a participação de alunos, marisqueiras e de parcerias com instituições locais.
Outro avanço recente, pelo qual ambientalistas vinham lutando, foi a publicação, em janeiro de 2026, no Diário Oficial do estado, da primeira Lista Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas do Rio Grande do Norte. Nela constam 172 espécies nativas, mudança que passa a orientar o licenciamento ambiental e a formulação de políticas públicas no estado. Oito são aves costeiras migratórias.
“Eu tenho duas crianças: um [menino] de 4 anos e uma bebê de 4 meses. Trabalho para que, daqui a 10 ou 15 anos, a gente vá para a praia e eles digam: ‘Olha, papai, aquele ali é o animalzinho [com] que você trabalha, né?’. E que eu possa responder: ‘É, ele ainda está aqui’”, disse Damasceno, na torcida para que as aves limícolas continuem tendo pouso nas areias do litoral potiguar.
Traduzido de Mongabay.