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ESTUDO

Manguezais globais estão se recuperando e oferecem sinal promissor para a resiliência climática

Após décadas de perdas, as florestas de mangue voltaram a crescer reforçando seu papel na proteção costeira, na proteção da biodiversidade e no combate às mudanças climáticas

8 de junho de 2026
Carina Gonçalves
4 min. de leitura
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Foto: Daniel Friess/Universidade de Tulane

Durante décadas, os manguezais figuraram entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta. Derrubados para dar lugar à aquicultura, à agricultura e à expansão urbana, eles acumulavam perdas ano após ano. Agora, um novo estudo publicado na revista Science sugere, pela primeira vez em décadas, as florestas de mangue do mundo deixaram de apresentar declínio líquido e passaram a registrar crescimento global.

A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, analisou quatro décadas de imagens de satélite e concluiu que as perdas históricas foram amplamente compensadas por processos de regeneração natural e pela expansão dos manguezais para novas áreas costeiras.

“Após décadas de perdas, finalmente estamos testemunhando uma virada global para os manguezais”, afirma Zhen Zhang, pesquisador de pós-doutorado da Escola de Ciências e Engenharia da Universidade de Tulane e autor principal do estudo, em comunicado. “Isso destaca sua forte resiliência e seu potencial como uma poderosa solução baseada na natureza para a mitigação das mudanças climáticas e a proteção costeira.”

Os manguezais desempenham um papel fundamental para o equilíbrio ambiental. Além de servirem como berçário para diversas espécies marinhas e ajudarem a proteger comunidades costeiras contra tempestades e erosão, essas florestas são consideradas importantes reservatórios naturais de carbono, capazes de armazenar grandes quantidades do gás responsável pelo aquecimento global.

Segundo os pesquisadores, entre as décadas de 1980 e 2010, o mundo perdeu cerca de 2.900 quilômetros quadrados de manguezais. Nos últimos 16 anos, porém, os ganhos passaram a superar as perdas. Em 2023, a redução líquida acumulada ao longo de todo o período analisado era de apenas cerca de 1%, um valor significativamente menor do que estimativas anteriores indicavam.

“O que estamos vendo agora é uma mudança real. Os manguezais estão apresentando um aumento líquido global e a taxa de degradação está diminuindo”, diz Daniel Friess, professor de Ciências da Terra e do Meio Ambiente na Universidade de Tulane e diretor do Laboratório de Manguezais da instituição. “Embora alguns manguezais ainda estejam desaparecendo, isso pode torná-los um raro exemplo de sucesso na conservação e uma importante fonte de otimismo para a ação climática.”

A recuperação observada não acontece da mesma forma em todos os lugares. Em muitas regiões da Ásia e da Oceania, por exemplo, os manguezais estão recolonizando áreas antes ocupadas por viveiros de aquicultura abandonados. Em outras localidades, eles avançam sobre planícies de lama recém-formadas por sedimentos carregados pelos rios.

Já na costa do Golfo do México, nos Estados Unidos, os pesquisadores identificaram outro fenômeno: o aumento das temperaturas médias permitiu que espécies típicas de regiões tropicais avançassem para latitudes mais elevadas. No delta do rio Mississippi, a expansão dos manguezais se tornou particularmente acelerada após 2012.

Além do crescimento em área, o estudo aponta que muitas florestas existentes estão se tornando mais densas e saudáveis. Os chamados manguezais de dossel fechado, que oferecem maior proteção costeira e armazenam mais carbono, aumentaram significativamente nas últimas quatro décadas.

Os cientistas acreditam que isso significa que a capacidade desses ecossistemas de capturar carbono pode estar sendo subestimada. Ainda assim, alertam que os avanços permanecem vulneráveis às mudanças climáticas. No Texas, por exemplo, um episódio extremo de congelamento ocorrido em 2021 provocou uma redução abrupta das áreas de mangue, demonstrando como eventos climáticos severos podem reverter rapidamente anos de recuperação.

Outro ponto de atenção é que muitos dos novos manguezais ainda são jovens e não oferecem todos os benefícios ecológicos observados em florestas maduras. Além disso, o desmatamento continua sendo uma ameaça em diversas regiões costeiras.

“A maneira mais imediata e eficaz de proteger os manguezais é interromper o desmatamento”, afirma Zhang. “Quando os manguezais são derrubados, grandes quantidades de carbono armazenado por longos períodos são liberadas na atmosfera. Mas, quando o desmatamento cessa, eles podem continuar acumulando carbono naturalmente ao longo do tempo.”

O pesquisador também destaca a importância de preservar os processos naturais que permitem a expansão dessas florestas. “Grande parte do crescimento dos manguezais ocorre em planícies de lama recém-formadas, que dependem de um suprimento constante de sedimentos fluviais”, explica. “Manter esse fluxo de sedimentos é fundamental para criar as condições necessárias para que os manguezais se estabeleçam e se espalhem.”

Fonte: Revista Galileu

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