O El Niño vai chegar mais cedo do que o esperado em 2026. Conforme a mais recente análise da MetSul Meteorologia, o fenômeno deve se instalar nas próximas semanas e alcançar forte intensidade durante o inverno no Hemisfério Sul.
O forte aquecimento das águas do Pacífico vai marcar o começo do El Niño, com pico previsto para o último trimestre deste ano, entre a primavera e o verão.
Normalmente, os episódios de El Niño se instalam em meados do inverno e durante a próxima estação, ou seja, este evento vai começar mais cedo que o habitual, repetindo o padrão de 2023-2024. Naquele evento climático, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), sob o critério antigo de monitoramento, declarou o começo do fenômeno em junho de 2023.
Sinais de transição
Os meteorologistas Estael Sias e Luiz F. Nachtigall explicam que, após uma recente fase de La Niña, os dados mostram uma rápida mudança no padrão oceânico, com áreas frias desaparecendo e anomalias positivas de temperatura do mar se expandindo na superfície do Pacífico e nas profundezas do mar (subsuperfície).
Trata-se de um verdadeiro “pulso” de águas quentes que se forma no Pacífico Oeste e se desloca ao longo da faixa equatorial no sentido Leste, em direção à América do Sul. “Essa onda pode atingir centenas de metros de profundidade e se estender por milhares de quilômetros, transportando grandes volumes de água mais quente.”
O que acontece agora
Atualmente, esse bolsão de água quente está concentrado entre cerca de 100 metros e 250 metros de profundidade, “funcionando como uma gigantesca reserva de energia térmica prestes a emergir na superfície do mar com águas muito aquecidas, instalando o El Niño”.
Temperaturas que impressionam
Nesta “piscina de águas quentes” gigante abaixo da superfície, as anomalias de temperatura impressionam meteorologistas porque atingem 6ºC mais quentes do que o normal. Isso sugere um El Niño forte a muito forte, potencialmente intenso (Super El Niño), durante o segundo semestre.
Aquecimento vai acelerar
A tendência, segundo previsão da MetSul, é que o El Niño comece entre maio e junho no Oceano Pacífico e ganhe intensidade rapidamente. No fim de maio ou mais tardar em junho, o fenômeno já deve estar plenamente configurado com o acoplamento das condições oceânicas e atmosféricas.
Quando maiores impactos serão sentidos?
A circulação geral da atmosfera deve entrar em modo de El Niño e refletir nas condições do tempo ainda neste outono e no começo do inverno. No entanto, os maiores impactos devem ser sentidos entre setembro e novembro, período de maior risco para eventos extremos.
No Sul do Brasil, o El Niño costuma influenciar no aumento significativo das chuvas e maior frequência de eventos extremos. São comuns episódios de chuva volumosa, que elevam o risco de cheias de rios e enchentes, principalmente no inverno e na primavera do primeiro ano do fenômeno e no outono do ano seguinte.
“Temporais se tornam mais frequentes, assim como a ocorrência de ciclones, alguns deles intensos, enquanto as temperaturas tendem a ficar acima da média, apesar de eventuais incursões de frio”, explica a MetSul.
Fonte: ABC Mais