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INFLUÊNCIA CLIMÁTICA

Milhões de organismos azul-elétrico cobrem praias dos EUA em fenômeno ligado ao aquecimento do oceano

“Veleiros-do-vento” tomaram faixas costeiras da Califórnia, Oregon e Washington; cientistas relacionam episódios a águas mais quentes e possível influência do El Niño

22 de maio de 2026
Nilson Cortinhas
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução/@cayucosca

Milhões de organismos marinhos azul-elétrico começaram a cobrir praias da costa oeste dos Estados Unidos nas últimas semanas, criando uma paisagem incomum em cidades da Califórnia, Oregon e Washington. O fenômeno envolve a espécie Velella velella, conhecida popularmente como “by-the-wind sailors” — ou “veleiros-do-vento” — e vem chamando atenção não apenas pelo impacto visual, mas também pela relação com mudanças nas condições oceânicas.

Com cerca de dez centímetros de comprimento, os “veleiros-do-vento” possuem corpo ovalado azul-arroxeado e uma pequena estrutura transparente semelhante a uma vela, que permite que sejam carregados pelos ventos sobre a superfície do oceano.

Os organismos aparecem todos os anos durante a primavera do hemisfério Norte, mas episódios de encalhe em massa costumam ocorrer com a influência de fatores ambientais, especialmente ventos favoráveis e temperaturas oceânicas acima da média.

“As praias nesta região parecem azuis à distância”, afirmou Jackie Sones, coordenadora de pesquisa da Reserva Marinha Bodega, da Universidade da Califórnia em Davis, à emissora pública KQED, em reportagem da Smithsonian Magazine.

 

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Apesar da aparência semelhante à de águas-vivas, os animais pertencem a um grupo colonial de cnidários — o mesmo filo de corais, anêmonas e caravelas-portuguesas. Cada indivíduo é formado por milhares de pequenos organismos geneticamente idênticos chamados “zooides”, responsáveis por funções específicas como alimentação, defesa e reprodução.

“Eles aparecem em massa porque é assim que se movimentam no oceano”, explicou Chrissy Piotrowski, gerente sênior de zoologia de invertebrados da Academia de Ciências da Califórnia, ao SFGate, em matéria da Smithsonian Magazine. “Você vê grandes florações e encalhes em massa.”

O fenômeno ocorre, principalmente, quando ventos sopram do oceano em direção ao continente, empurrando os organismos para as praias. Em 2026, cientistas avaliam que um possível desenvolvimento do El Niño pode estar contribuindo para o cenário, já que o padrão climático costuma aquecer as águas do Pacífico.

Pesquisadores também investigam a influência das mudanças climáticas nos episódios de encalhes em larga escala. Segundo especialistas ouvidos pela National Geographic e citados pela Smithsonian Magazine, invernos mais amenos e menos turbulentos podem favorecer a sobrevivência e proliferação desses organismos.

Além do impacto visual, os encalhes acabam alterando o ambiente costeiro. Após chegarem à areia, os organismos começam rapidamente a se decompor, liberando um odor semelhante ao de peixe.

“Dentro de algumas semanas, provavelmente estarão desidratados e simplesmente serão levados pelo vento, como um pedaço de papel de arroz”, afirmou o biólogo marinho Steven Haddock, do Monterey Bay Aquarium Research Institute.

Os “veleiros-do-vento” fazem parte da cadeia alimentar marinha e servem de alimento para peixes, tartarugas, lesmas-do-mar e peixes-lua gigantes. Embora não sejam considerados perigosos para humanos, especialistas recomendam evitar contato de crianças pequenas e animais domésticos com os organismos, que podem causar irritações e desconfortos gastrointestinais.

“Nós já observamos peixes-lua chegando até essas florações gigantes de Velella e simplesmente estourando elas como se fossem balas”, disse a ecóloga Anya Štajner, da Instituição Scripps de Oceanografia, à National Geographic, em declaração reproduzida pela Smithsonian Magazine.

Fonte: Um só Planeta

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