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QUESTIONAMENTOS

Onde está a Timmy? Libertação de baleia gera nova polêmica na Alemanha

Denúncias sugerem que manobra de soltura teria ferido o animal e que falhas no rastreador tem impedido saber paradeiro e estado de saúde da baleia. Especialistas contestam informações divulgadas pela equipe de resgate.

5 de maio de 2026
4 min. de leitura
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Equipes ajudam baleia jubarte encalhada a entrar em barcaça no Mar Báltico, perto da ilha de Poel, Alemanha. Foto: NonstopNews/Schwarck via Reuters.

A saga da baleia-jubarte “Timmy”, que encalhou em março na costa da Alemanha, continua a gerar controvérsia no país dois dias após sua liberação no Mar do Norte.

Devido à falta de vídeos do momento da soltura do animal e à ausência de informações claras sobre o rastreador acoplado a ele, seu paradeiro atual é incerto — assim como seu estado de saúde.

Nesta segunda-feira (04/05), a controvérsia ganhou novo fôlego após a veterinária Kirsten Tönnies, que integrava a tripulação dos barcos que transportavam Timmy, fazer acusações graves contra os responsáveis pela operação.

Ela falou com a imprensa após a embarcação chegar ao porto de Cuxhaven, na Alemanha.

Segundo Tönnies, o método usado para retirar o animal da embarcação foi agressivo, e ela teria sido impedida de acompanhar a operação. Além disso, o rastreador acoplado ao animal não foi testado antes de seu uso.

Como a DW mostrou, o modelo escolhido para transportar o animal, incapaz de completar o trajeto sozinho, já havia sido amplamente criticado no país.

Especialistas alertavam que a jornada poderia causar ainda mais estresse à baleia e até resultar em afogamento após a soltura em alto-mar.

A operação foi financiada por empresários, entre eles Walter Gunz, cofundador da rede de eletrônicos MediaMarkt, que organizou a equipe e conduziu o resgate segundo suas próprias preferências.

Uso de cordas para puxar o animal

Agora, persistem dúvidas sobre como a baleia foi manobrada nos momentos finais do resgate, já que não existe qualquer registro em vídeo do momento da liberação. A principal dificuldade parecia ser a posição em que Timmy ficou após nadar para dentro da balsa. Devido ao tamanho reduzido da embarcação, o animal não podia se virar e nadar em direção ao mar.

Na noite de sexta-feira, imagens do canal News5 mostraram membros da tripulação tentando puxar o animal de ré, usando cordas.

O método, questionado por representar risco à segurança da baleia, foi confirmado por Kirsten Tönnies. O animal só seria solto no sábado.

“Fui informada de que estavam tentando puxá-la para fora de ré, usando cordas e a nadadeira caudal. Repetidamente. Vi ferimentos na boca. Sou muito crítica a puxar o animal de ré. Puxar para frente é aceitável. Puxar para trás vai contra a natureza do animal, e eu não concordo com isso”, disse ela.

Embora a equipe tenha anunciado a operação como um “sucesso”, a ausência de evidências sobre a manobra usada ampliou a controvérsia. Tönnies afirma que foi impedida de acompanhar a etapa final e que a tripulação provavelmente barrou qualquer filmagem da liberação devido ao método empregado.

Ao canal ZDF Heute, o pesquisador de baleias e biólogo marinho Fabian Ritter reforça que “a regra número um com baleias encalhadas é nunca, jamais puxar pela nadadeira caudal”.

Como a cauda é ligada ao corpo apenas por tecido conjuntivo e músculos, o puxão pode gerar lesões graves.

Segundo o jornal Bild, os dois milionários que financiaram a operação agora tentam se distanciar de seu desfecho.

No sábado, Walter Gunz e Karin Walter-Mommert divulgaram uma nota em que afirmam não ter participado nem apoiado ativamente a forma como a liberação da baleia foi conduzida.

Rastreador instável e dúvidas sobre sinais vitais

As críticas ainda se concentram na falta de informações sobre o paradeiro e o estado de saúde de Timmy. Após a soltura, os sinais do rastreador instalado na baleia seguem inconstantes, e especialistas contestam as afirmações divulgadas pela iniciativa privada.

A equipe havia declarado que o transmissor seria capaz de enviar sinais vitais e que dados recebidos nesta segunda-feira indicariam que Timmy ainda está viva. Em operações desse tipo, o rastreador é fixado na nadadeira dorsal e só transmite quando está na superfície, o que explicaria a instabilidade do sinal.

Contudo, não há evidências de que o aparelho seja capaz de fato de trasmitir sinais vitais e o transmissor aparentemente não foi testado antes da soltura.

Em nota, o Instituto de Pesquisa de Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW) afirmou que um teste funcional antes do uso seria prática padrão.

A organização ainda reforça que rastreadores desse tipo não fornecem parâmetros vitais médicos, como frequência cardíaca ou respiratória, a menos que incluam sensores específicos — algo que não foi comprovado pela equipe. Organizações como o Greenpeace corroboram a crítica.

Até agora, os dados obtidos pelo aparelho não foram publicizados nem compartilhados com a Secretaria do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que autorizou a operação. Em nota, a advogada da iniciativa privada, Constanze von der Meden, disse que o aparelho “não está funcionando como deveria”.

“Não sabemos se o GPS foi danificado durante a operação, quando nossa equipe não estava presente. Estamos investigando. Recebemos dados, eles continuam chegando, mas o dispositivo não está funcionando como deveria”, afirmou nesta segunda-feira.

Fonte: G1

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