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RECUPERAÇÃO

Após um século, pássaro símbolo da Nova Zelândia volta a habitar capital do país

Projeto comunitário tenta reverter colapso populacional causado por predadores e expansão humana

5 de maio de 2026
Nilson Cortinhas
2 min. de leitura
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Foto: Oliver Strewe/Getty Images

Mais de um século depois de desaparecer da capital da Nova Zelândia, o kiwi, ave símbolo do país, está voltando a habitar a região de Wellington. A reintrodução, conduzida por um esforço coletivo que envolve moradores, cientistas e comunidades locais, é um dos exemplos mais avançados de proteção urbana no mundo.

A iniciativa, liderada pelo Capital Kiwi Project, já resultou na transferência de mais de 250 aves para áreas protegidas próximas à capital. O objetivo é restabelecer uma população estável do animal em um ambiente onde ele não era visto há mais de 100 anos.

“Eles fazem parte de quem somos e do nosso senso de pertencimento”, argumentou o fundador do projeto, Paul Ward, em entrevista à Associated Press, de acordo com o Washington Post. “Eles desapareceram dessas colinas por mais de um século, e decidimos que isso não estava certo”.

Estima-se que, antes da chegada dos humanos, cerca de 12 milhões de indivíduos kiwi ocupavam o território neozelandês. Hoje, restam aproximadamente 70 mil, com a população ainda em queda de cerca de 2% ao ano. A principal ameaça é a presença de predadores introduzidos, como ratos e gatos, que devastam ovos e filhotes. Sem intervenção, a tendência é de declínio.

Proteção

Ao invés de manter os animais restritos a reservas remotas, o projeto aposta na convivência entre biodiversidade e ambiente urbano.

Para viabilizar isso, foi implantado um sistema intensivo de controle de predadores, com mais de cinco mil armadilhas distribuídas pela região. O monitoramento é feito por meio de voluntários e moradores.

O resultado já aparece nos indicadores: a taxa de sobrevivência de filhotes na região chega a 90%, um patamar considerado alto para espécies ameaçadas.

Reconexão

Historicamente, as estratégias de proteção na Nova Zelândia transferiram espécies raras para ilhas isoladas ou santuários isolados, protegidos de predadores. Embora eficazes, esses modelos afastaram a população do contato direto com a biodiversidade. O projeto em Wellington atua de maneira inversa: traz a natureza de volta ao cotidiano das pessoas.

“Quando pensamos em espécies ameaçadas, normalmente só conseguimos ajudar doando dinheiro ou apoiando campanhas”, disse a diretora da organização Save the Kiwi, Michelle Impey. “Mas aqui vemos um movimento real, onde pessoas comuns estão fazendo a diferença todos os dias”.

A reintrodução do kiwi também está alinhada a uma meta mais ampla da Nova Zelândia: eliminar completamente predadores invasores até 2050. A estratégia inclui ações em escala nacional. No entanto, as cidades são o teste definitivo.

Fonte: Um só Planeta

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