A onça-pintada Pantanal, de 21 anos, morreu neste sábado (02/05) no Parque Ecológico Municipal de Americana, no interior de São Paulo, vítima de um sistema que submete animais selvagens ao confinamento e à uma vida artificial. Ela apresentava comprometimento renal, segundo a administração do parque, que classificou o quadro como compatível com a idade.
Nascida em fevereiro de 2005 no Zoológico de São Carlos, também no interior de São Paulo, Pantanal foi transferida ainda filhote para Americana, onde passou a vida toda aprisionada. Ao longo dos anos, recebeu acompanhamento veterinário e tratamentos, incluindo intervenções dentárias e monitoramento clínico recente após alterações comportamentais que indicaram problemas renais.
Mantida por mais de duas décadas em um espaço limitado, a onça nunca teve a oportunidade de viver em seu habitat natural. Sua morte é o resultado de um modelo que prioriza entretenimento e visitação pública em detrimento da sua liberdade e bem-estar.
A administração do parque afirmou que todas as medidas possíveis foram adotadas e destacou que outras mortes de grandes felinos registradas em 2025 não têm relação entre si. Ainda assim, a recorrência de óbitos no plantel levanta questionamentos sobre as condições estruturais e o impacto cumulativo do confinamento prolongado.
O recinto em que Pantanal vivia, atualmente em reforma, deve receber um novo casal de onças-pardas ainda neste mês. Nos zoológicos animais são tratados como peças intercambiáveis em um sistema de exibição, não como indivíduos com necessidades, e agora mais dois animais terão a vida destruída.
Diante disso, é fundamental que zoológicos sejam substituídos por santuários e iniciativas de proteção respeitem os limites das espécies, em vez de perpetuar o aprisionamento como solução.