Um estudo da Universidade de Barcelona, publicado na Nature Communications, mostra que o papo sobre as mudanças climáticas ficou sério: o degelo na Groenlândia mudou de patamar, ficando mais frequente, mais espalhado e muito mais intenso.
Para você ter uma ideia, desde 1990, a área atingida por esses derretimentos extremos têm crescido cerca de 2,8 milhões de km² a cada dez anos. E o volume de água que isso gera é assustador: a produção de água do degelo aumentou seis vezes. Entre 1950 e 2023, a média era de 12,7 gigatoneladas por década; de 1990 para cá, esse número saltou para 82,4 gigatoneladas.
Recordes que ninguém queria bater
O negócio está tão feio que sete dos dez episódios mais extremos de degelo rolaram de 2000 para cá. Os anos de 2012, 2019 e 2021 bateram recordes que nunca tinham sido vistos antes, o que mostra que o que está acontecendo é totalmente fora da curva.
O estudo aponta que o calor na atmosfera está pesando muito mais e que, desde 1990, a produção de água subiu até 63% se compararmos todos os eventos extremos.
Norte da ilha: o novo hotspot do aquecimento global
O norte da Groenlândia é quem mais está sofrendo e virou um dos principais “pontos quentes” do planeta. E o futuro não parece nada animador e se a gente continuar lançando muitos gases de efeito estufa, até o fim do século a produção de água desse degelo anômalo pode triplicar.
Para chegar a esses resultados, o pesquisador Josep Bonsoms e sua equipe analisaram dados de 1950 a 2023 usando um modelo climático super moderno. Eles conseguiram separar o que é culpa do aquecimento da atmosfera (fator termodinâmico) e o que tem a ver com a circulação do ar (fator dinâmico).
Do nível do mar à geopolítica: as consequências globais
Não é só “gelo derretendo longe daqui”. O que acontece na Groenlândia mexe com o mundo todo.
Além de fazer o nível do mar subir e bagunçar as correntes oceânicas, a rápida transformação do Ártico coloca a região no centro de novas brigas estratégicas, econômicas e de território.
Como diz o autor do estudo, entender como esses eventos extremos funcionam é o único jeito de a gente se preparar para os riscos que vêm por aí e tentar guiar as decisões políticas com base na ciência.
Fonte: EcoDebate