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ESTUDO

Mudanças climáticas acirram competição entre animais

Alterações no clima mexem no "custo de sobrevivência" de animais que costumam viver em grupos

6 de maio de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Susan Perry / Universidade da Califórnia

Um estudo realizado com macacos-pregos selvagens na Costa Rica, durante 33 anos, revela que as vantagens e os prejuízos para animais que vivem em grupo são alterados pelas mudanças climáticas. A pesquisa, marcada para ser publicada hoje na revista Nature Ecology & Evolution, é liderada pelo Instituto Max Planck de Comportamento Animal.

Com a intensificação das mudanças climáticas, os cientistas estão cada vez mais preocupados com a forma como os animais irão sobreviver em um mundo mais imprevisível. “São necessárias décadas para perceber como os ciclos climáticos interagem com a complexa dinâmica social das sociedades animais”, afirma a professora Meg Crofoot, diretora do instituto.

Segundo os pesquisadores, os animais se beneficiam da vida em conjunto, e grupos maiores podem gerar vantagens ainda melhores, incluindo mais proteção. No entanto, comunidades mais robustas implicam um custo maior de sobrevivência, especialmente no que se diz respeito à divisão de comida. O novo estudo revela como uma população de primatas equilibra essa relação fundamental e como os extremos climáticos podem desequilibrar a balança.

Durante mais de três décadas, uma equipe liderada por Susan Perry monitorou 12 grupos vizinhos de macacos-prego-de-cara-branca na Costa Rica, combinando observações de campo com dados ambientais da floresta obtidos por satélite. As descobertas revelam que o equilíbrio entre a competição dentro e entre os grupos não é fixo, varia com os ciclos climáticos.

“A forma como os grupos usam o espaço depende não apenas do seu tamanho, mas também do tamanho dos seus vizinhos e das condições climáticas que todos vivenciam”, destaca Odd Jacobson, pesquisador de pós-doutorado no instituto.

Disputa

Os animais estudados vivem em um dos últimos fragmentos remanescentes de floresta tropical seca da Costa Rica. Ao acompanhá-los a equipe descobriu que, em condições típicas, os animais viviam em grupos maiores e consumiam frutas em um ritmo mais lento. “Esse foi um sinal claro de que os membros do grupo estavam competindo entre si, o que era esperado para grupos grandes”, afirma Jacobson.

No entanto, os grandes grupos tinham uma solução. Ao expandir seu território e reivindicar áreas de conjuntos menores, eles ganhavam acesso a mais opções e a áreas de alimento menos esgotadas, compensando a competição interna. No entanto, quando o clima mudava, o cenário também se alterava.

Por volta de janeiro, começava a estação seca. Nos meses seguintes, os pesquisadores observaram que recursos essenciais como água, alimento e sombra se concentravam ao longo dos rios, forçando os grupos a manterem um contato mais próximo.

Os grupos se sobrepunham menos espacialmente, mas se encontravam com mais frequência, sugerindo que estavam competindo mais com seus vizinhos e defendendo ativamente os recursos restantes. Conjuntos maiores dominavam as áreas de melhor qualidade, enquanto os menores eram empurrados para partes menos produtivas.

Em ambas as estações, os grupos maiores encontraram maneiras de compensar os custos do seu tamanho, aproveitando a sua dominância sobre os grupos menores. Mas isso dependia dos padrões sazonais típicos, e o estudo revelou o que acontece quando as condições se desviam da norma.

Os eventos El Niño provocaram secas severas, enquanto os La Niña causaram intensas. Ambos os extremos aumentaram os custos da busca por alimento para grandes grupos, intensificando a competição por comida e reduzindo as vantagens da superioridade numérica. O estudo mediu os custos energéticos em vez da sobrevivência ou reprodução direta, os autores apontam que esse deve ser o foco de novos trabalhos no futuro.

Fonte: Correio Braziliense

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