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POLUIÇÃO

Microplásticos são encontrados em girinos da Amazônia pela primeira vez

Pesquisa da UFPA revela que partículas plásticas alcançaram poças temporárias em área protegida da floresta, ampliando o alerta sobre os impactos da poluição nos anfíbios e na biodiversidade.

12 de julho de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Fabrielle Barbosa de Araújo

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) identificaram, pela primeira vez nas Américas, a presença de microplásticos em girinos coletados em lagoas temporárias da Amazônia. O estudo demonstra que a poluição plástica já alcança até ambientes efêmeros formados no interior da floresta, ampliando as evidências de que esses contaminantes estão disseminados em praticamente todos os ecossistemas.

As amostras foram coletadas em um parque ecológico considerado preservado. Ainda assim, a concentração de microplásticos na água foi semelhante à observada em áreas fortemente impactadas pela atividade humana.

Segundo a bióloga Fabrielle Barbosa de Araújo, autora principal da pesquisa, ambientes temporários ainda são pouco estudados sob esse aspecto, embora funcionem como importantes berçários para anfíbios e outras espécies. Ela explica que os microplásticos podem ser transportados pelo vento ou pela água, ficar retidos no solo e na matéria orgânica e, durante as chuvas, alcançar poças e lagoas.

A ingestão acidental é a principal forma de contaminação, quando os girinos confundem as partículas com alimento ou ingerem organismos contaminados. No entanto, os microplásticos também podem aderir às brânquias e à pele, altamente permeável nessa fase da vida, comprometendo funções fisiológicas.

Os impactos incluem alterações no sistema digestório, danos aos tecidos, mudanças comportamentais, prejuízos ao crescimento e ao desenvolvimento e até danos ao DNA. A equipe agora investiga se essas partículas permanecem nos animais após a metamorfose.

O grupo já havia registrado anteriormente a presença de microplásticos nos pulmões de duas espécies de sapos amazônicos, reforçando que a contaminação atinge diferentes fases e espécies de anfíbios.

Embora a origem das partículas não tenha sido determinada, predominam fibras sintéticas, geralmente liberadas por tecidos como poliéster, nylon e acrílico durante a lavagem de roupas. A proximidade de comunidades com limitações no saneamento também pode contribuir para a contaminação.

Os anfíbios são considerados importantes biomonitores da qualidade ambiental por sua sensibilidade às alterações do ambiente. Como esse grupo já figura entre os vertebrados mais ameaçados do mundo, a descoberta reforça a necessidade de ampliar pesquisas e adotar medidas para reduzir a poluição plástica, cuja dispersão já compromete até ecossistemas protegidos da maior floresta tropical do planeta.

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