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REABILITAÇÃO

Implante de penas ajuda urutau resgatado a recuperar capacidade de voo em Foz do Iguaçu (PR)

Ave acolhida após fratura na asa passou por procedimento veterinário especializado que substitui temporariamente penas danificadas e favorece sua reabilitação.

12 de julho de 2026
Redação ANDA
5 min. de leitura
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Foto: Divulgação

Um urutau (Nyctibius griseus) resgatado com histórico de fratura em uma das asas recebeu um implante de penas no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu (PR), em um procedimento voltado à recuperação de sua capacidade de voo. Encaminhado pelo Instituto Água e Terra (IAT), ele apresentava penas quebradas que comprometiam sua locomoção, tornando mais difícil sua reabilitação e aumentando o risco de novos acidentes.

O implante de penas é uma técnica consolidada na medicina veterinária de animais silvestres e consiste na substituição temporária de penas danificadas por penas saudáveis provenientes de outro indivíduo da mesma espécie. O objetivo é restabelecer a aerodinâmica necessária para o voo enquanto as penas naturais voltam a crescer.

Segundo a médica-veterinária Ligia Oliva, responsável pelo atendimento do animal, cada processo de reabilitação exige uma avaliação individualizada. No caso do urutau, além da fratura já tratada, as penas quebradas limitavam sua movimentação e comprometiam sua segurança. “O implante foi indicado para auxiliar na recuperação da capacidade de voo e proporcionar melhores condições para que o animal volte a voar ou planar de forma segura”, explica.

Para realizar o procedimento, a equipe seleciona penas compatíveis da mesma espécie e fixa elas cuidadosamente às estruturas remanescentes da ave por meio de técnicas específicas que garantem alinhamento e estabilidade. Como as penas são formadas por queratina, o mesmo material presente em unhas e cabelos humanos, sua quebra não provoca dor, embora comprometa funções essenciais relacionadas ao voo.

Mesmo assim, o procedimento costuma ser realizado sob anestesia, o que permite maior precisão durante a manipulação e reduz o estresse e os movimentos involuntários do animal. As penas implantadas permanecem em funcionamento até serem naturalmente substituídas pelas novas penas produzidas durante a muda.

Além de restaurar temporariamente a capacidade de voo, a técnica reduz o risco de lesões secundárias. Aves incapazes de voar adequadamente estão mais suscetíveis a quedas, colisões e outros traumas que podem comprometer ainda mais sua recuperação.

No caso do urutau, o implante também favorece o fortalecimento gradual da musculatura utilizada no voo, melhora sua locomoção e contribui para seu bem-estar enquanto o processo de regeneração das penas segue naturalmente. A equipe veterinária continuará monitorando sua evolução para definir os próximos passos da reabilitação.

O atendimento integra o trabalho desenvolvido pelo Parque das Aves com animais silvestres resgatados, reunindo conhecimentos de medicina veterinária, biologia, manejo e bem-estar animal para oferecer condições adequadas de recuperação aos indivíduos sob seus cuidados.

Segundo a instituição, mais da metade dos animais mantidos no parque chegou após resgates realizados por órgãos ambientais, em decorrência de situações como tráfico de fauna, acidentes provocados por atividades humanas ou perda de habitat. Após o acolhimento, os animais recebem acompanhamento especializado e, quando possível, participam de programas de reabilitação, proteção e cooperação científica voltados principalmente às espécies da Mata Atlântica.

O trabalho também inclui ações de educação ambiental direcionadas aos visitantes. Ao longo da trilha, mediadores apresentam informações sobre a biodiversidade da Mata Atlântica, as ameaças enfrentadas pela fauna e a importância da proteção dos ecossistemas. De acordo com a supervisora pedagógica de Educação para Conservação do Parque das Aves, Gabriela Possato, a proposta é aproximar o público da natureza e estimular seu envolvimento na proteção da biodiversidade.

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