
Assim como ocorre na medicina humana, a transfusão de sangue pode ser decisiva para salvar cães e gatos em estado grave. No Distrito Federal, porém, a escassez de animais doadores preocupa bancos de sangue veterinários, comprometendo atendimentos de urgência, cirurgias e tratamentos.
A dificuldade ficou clara no caso de Chorão, um cão resgatado nas ruas do Paranoá pelas protetoras Eliane Carvalho e Joelma Alves. Mesmo recebendo alimentação e medicamentos, seu quadro piorou e exames indicaram a necessidade urgente de uma transfusão. O procedimento poderia custar até R$ 2,5 mil, valor incompatível com a realidade das protetoras, que mantêm cerca de 50 animais resgatados com recursos próprios.
“Chegamos a procurar outros lugares, mas o custo era muito alto. Uma das alternativas seria ter um cão doador, mas nossos animais geralmente chegam debilitados”, relata Eliane. Ela afirma já ter perdido cães por falta de sangue e defende maior conscientização dos tutores sobre a importância da doação.
Chorão recebeu atendimento no Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (HVet-UnB), por meio do projeto Uma Pata Salva a Outra, criado em 2012 para abastecer o Banco de Sangue Animal da instituição. Segundo o coordenador Jair Costa, manter os estoques depende de coletas regulares e há períodos frequentes de desabastecimento.
O médico-veterinário Francisco Anilton Alves Araújo, CEO do Centro de Hemoterapia Pet do Distrito Federal (OHV Pet), afirma que o principal problema é a falta de doadores. Atualmente, o DF possui três bancos de sangue veterinários, OHV Pet, HVet-UnB e Hospital Veterinário Brasília (HVB), mas os estoques não atendem à demanda, sobretudo em feriados e períodos de férias.
Segundo ele, a procura por sangue de bancos especializados cresceu após a pandemia, devido à maior segurança, rastreabilidade e qualidade dos hemocomponentes. Francisco ressalta que a doação é segura e que os animais cadastrados recebem avaliação clínica, exames, vacinas, vermífugo e tipagem sanguínea, sem custos para os tutores.
O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal (CRMV-DF), Rodrigo Montezuma, explica que as bolsas passam por testes laboratoriais e são essenciais para tratar doenças que comprometem a circulação e os componentes sanguíneos.
A falta de sangue pode ser fatal. Em fevereiro de 2025, o pit bull Beethoven morreu enquanto aguardava uma transfusão após não encontrar bolsa disponível e diante do alto custo do procedimento na rede privada.
Para doar, cães devem pesar ao menos 25 kg e gatos mais de 4 kg, ter entre um e oito anos, vacinação e vermifugação em dia, estar saudáveis e nunca ter recebido transfusão. As doações podem ser feitas a cada três meses. A ampliação da rede de animais doadores é considerada fundamental para garantir que cães e gatos em estado crítico tenham acesso, em tempo hábil, a um tratamento capaz de salvar suas vidas.




