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CALOR EXTREMO

Incêndios perto de Paris e na Espanha reforçam alerta sobre efeitos das mudanças climáticas na Europa

França mobiliza operação inédita para conter fogo perto de Paris, enquanto Espanha contabiliza 13 mortes; estudos relacionam aumento da intensidade desses eventos às mudanças climáticas

14 de julho de 2026
4 min. de leitura
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Incêndios perto de Paris e na Espanha reforçam alerta sobre efeitos das mudanças climáticas na Europa
Caminhões de bombeiros seguem em direção a um foco de incêndio na rodovia A6, na região de Île-de-France, perto de Paris, na França, em 13 de julho de 2026, após um incêndio florestal na Floresta de Fontainebleau. Foto: Jerome Gilles/NurPhoto via Getty Images

Um incêndio florestal de grandes proporções que atinge a histórica floresta de Fontainebleau, a cerca de 60 quilômetros de Paris, na França, mobilizou centenas de bombeiros e, pela primeira vez, aviões de combate a incêndios foram deslocados do sul do país para proteger a região da capital. Ao mesmo tempo, a Espanha confirmou a 13ª morte provocada por um incêndio florestal na província de Almería, em meio à terceira onda de calor do verão europeu.

As autoridades francesas informaram que o fogo já consumiu cerca de 800 hectares de floresta desde o fim da tarde de domingo (12). O incêndio provocou o fechamento parcial da rodovia A6, principal ligação entre Paris e o sul do país, interrompeu linhas de trem de alta velocidade e levou à evacuação de aproximadamente 900 residências. Até o momento, não há registro de feridos ou casas destruídas.

Segundo a agência Reuters, o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, afirmou que havia dez pontos de início do fogo em um raio de mil metros, o que sugere que ele pode ter sido provocado deliberadamente, ou seja, criminoso. Ao jornal The Guardian, o prefeito de Fontainebleau, Julien Gondard, afirmou que nunca havia presenciado uma situação semelhante. “Essa área excepcional está sendo consumida pelas chamas. Nunca vimos nada parecido. A floresta é frágil e está em estado crítico”, disse.

As autoridades alertam que o incêndio ainda pode levar dias ou até semanas para ser totalmente controlado. Cerca de 400 bombeiros, além de aviões, helicópteros e aeronaves de observação, atuam no combate às chamas.

Terceira onda de calor

A França vive sua terceira onda de calor desde maio e cerca de 26 milhões de pessoas estavam sob alerta máximo nesta segunda-feira (13). A situação se repete em diversos países da Europa Ocidental. Na Itália, meteorologistas preveem uma nova onda de calor ao longo desta semana, com temperaturas que podem alcançar 43°C em partes da Sardenha.

Além do risco de incêndios, o calor extremo já provoca impactos econômicos. Segundo a Reuters, as altas temperaturas vêm prejudicando lavouras, reduzindo a geração de energia em usinas nucleares e elevando os custos do transporte de cargas no rio Reno, na Alemanha, devido ao baixo nível das águas. Na Itália, produtores da região de Emilia-Romagna precisaram intensificar os cuidados com os rebanhos para manter a produção de queijos, como o parmesão.

Espanha registra 13 mortes

Na Espanha, o número de mortos no incêndio florestal que atingiu a província de Almería subiu para 13 após a morte de uma britânica de 93 anos que sofreu queimaduras. Outras dez pessoas permanecem desaparecidas, segundo as autoridades.

Durante visita à região, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, voltou a defender um pacto nacional para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Segundo declaração reproduzida pelo The Guardian, Sánchez afirmou que um terço de toda a área que queimou na Europa no ano passado estava na Espanha e ressaltou que isso ocorre não apenas pelos incêndios historicamente registrados, mas também pelo agravamento provocado pelas mudanças climáticas.

O premiê, então, reforçou a necessidade de ampliar ações de prevenção. “Não basta reagir quando os incêndios acontecem. É preciso preveni-los, criar áreas de proteção e ensinar a população a agir diante desses desastres, que infelizmente estão se tornando cada vez mais frequentes”, afirmou ao jornal britânico.

Em outro momento, acrescentou: “A emergência climática mata. Estamos vendo isso em toda a Europa e também na Espanha.”

Calor extremo já elevou mortalidade

Estudos científicos também reforçam a relação entre o aquecimento global e os eventos extremos registrados neste verão europeu. Segundo a Reuters, dados oficiais apontam cerca de 10.650 mortes em excesso durante a onda de calor que atingiu a Europa Ocidental no fim de junho. A rede EuroMOMO informou que mais de 9 mil dessas mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.

No Reino Unido, um estudo conduzido por pesquisadores do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene & Tropical Medicine estimou que 2.700 pessoas morreram por causas relacionadas ao calor apenas na Inglaterra e no País de Gales durante as ondas de calor de maio e junho. De acordo com os pesquisadores, 42% dessas mortes foram atribuídas ao aquecimento adicional provocado pelas mudanças climáticas.

Outro levantamento, do grupo World Weather Attribution, concluiu que a onda de calor registrada na Europa em junho teria sido “virtualmente impossível” sem a influência das mudanças climáticas provocadas pela ação humana, reforçando o consenso científico de que o aquecimento global está tornando ondas de calor e incêndios florestais mais frequentes e intensos.

Fonte: Um só Planeta

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