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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Europa registra mais de 10 mil mortes acima do esperado durante onda de calor no fim de junho

Maioria das vítimas tinha 65 anos ou mais; pesquisadores afirmam que o calor extremo, intensificado pelas mudanças climáticas, é a principal explicação para o aumento das mortes.

13 de julho de 2026
3 min. de leitura
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Europa registra mais de 10 mil mortes acima do esperado durante onda de calor no fim de junho
Bombeiros da Brigada de Incêndio de Paris escoltam uma pessoa para fora do Museu do Louvre durante a intensa onda de calor, em 25 de junho de 2026, em Paris, na França. Foto: Getty Images

Mais de 10 mil pessoas morreram além do esperado em 27 países europeus durante a intensa onda de calor que atingiu o continente na última semana de junho. Os dados foram divulgados pela EuroMOMO, rede que monitora a mortalidade na Europa com apoio do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ao todo, foram registradas 10.650 mortes em excesso entre os dias 22 e 28 de junho, período em que França, Espanha, Reino Unido e outros países enfrentaram temperaturas recordes. Desse total, mais de 9 mil mortes ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais, grupo mais vulnerável aos efeitos do calor extremo. O total equivale à queda de cerca de 60 aviões Boeing 737 MAX 8 lotados.

O indicador de “mortes em excesso” compara o número de óbitos registrados em uma determinada semana com a quantidade que normalmente seria esperada para aquele período do ano, com base em dados históricos. O cálculo considera todas as causas de morte, e não apenas aquelas oficialmente atribuídas ao calor.

“Ter esse nível de excesso de mortalidade nesta época do ano é incomum. É realmente muito alto”, afirmou à agência Reuters Lasse Vestergaard, médico-chefe do Instituto Estatal de Soros da Dinamarca, que coordena a EuroMOMO. “É difícil explicar esse aumento por qualquer outro fator que não seja o calor extremo”, acrescentou.

Segundo os pesquisadores, não houve naquele período outros eventos relevantes, como surtos de Covid-19, que justificassem um aumento tão expressivo nas mortes. Nas oito semanas anteriores, por exemplo, os mesmos países registravam, em média, cerca de 500 mortes por semana abaixo do esperado.

O calor intenso pode provocar insolação — condição em que o corpo perde a capacidade de controlar a própria temperatura —, além de agravar doenças cardiovasculares e respiratórias, especialmente entre idosos.

Os dados da EuroMOMO reúnem informações de mortalidade enviadas por 27 países europeus e ainda podem sofrer pequenas revisões à medida que novos registros nacionais são incorporados.

Embora a plataforma não divulgue números por país, informou que França e Bélgica foram os únicos a registrar um nível classificado como “muito alto” de excesso de mortalidade na última semana de junho. Na Bélgica, o instituto nacional de saúde Sciensano informou que foi o maior impacto observado em ondas de calor desde o início da série histórica, em 2000.

As altas temperaturas também provocaram interrupções no fornecimento de energia, fechamento de escolas e novos recordes de calor em diferentes regiões da Europa.

Os números reforçam evidências de que a crise climática, associada à queima massiva de combustíveis fósseis, está tornando as ondas de calor mais frequentes e intensas. Um estudo publicado nesta semana por pesquisadores do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene & Tropical Medicine estimou que 2.700 pessoas morreram por causas relacionadas ao calor na Inglaterra e no País de Gales durante as ondas de calor de maio e junho. Segundo a análise, 42% dessas mortes ocorreram devido ao aquecimento adicional provocado pelas mudanças climáticas, que intensificaram os episódios de calor extremo.

Fonte: Um só Planeta

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