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COMBATE AO AQUECIMENTO

Florestas podem reter menos carbono do que se acreditava, aponta pesquisa

Estudo mostra que parte significativa do carbono capturado não é transformada em madeira, o que pode reduzir a capacidade das florestas de armazenar carbono a longo prazo

15 de junho de 2026
2 min. de leitura
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Foto: Freepik

Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Columbia sugere que as florestas podem armazenar menos carbono do que as projeções climáticas estimavam. O estudo, publicado na revista científica Science Advances, constatou que árvores continuam realizando fotossíntese e absorvendo dióxido de carbono (CO₂) muito tempo depois de interromperem o crescimento de seus troncos e galhos.

A pesquisa analisou carvalhos em 137 áreas dos Estados Unidos e encontrou um descompasso entre a absorção de carbono e a produção de nova madeira, principal forma de armazenamento de carbono de longo prazo nas florestas.

“A maioria dos modelos assume que, se há fotossíntese, há crescimento. Descobrimos que não é assim”, afirmou o ecoclimatologista Mukund Palat Rao, autor principal do estudo. “O fato de haver mais fotossíntese não significa necessariamente que haverá mais crescimento das árvores no futuro.”

Os cientistas combinaram imagens de satélite, sensores instalados nos troncos, medições contínuas de CO₂ nas copas e registros de anéis de crescimento para acompanhar diariamente a atividade das árvores.

Nos locais estudados no leste dos Estados Unidos, os carvalhos cresceram principalmente entre maio e julho, mas continuaram realizando fotossíntese até outubro. Em média, cerca de 36% de todo o carbono absorvido ao longo do ano foi capturado depois que o crescimento já havia sido interrompido.

Na Califórnia, o padrão foi semelhante. As árvores cresceram entre dezembro e abril, mas pararam de aumentar de tamanho em agosto, mesmo mantendo a fotossíntese. Aproximadamente 26% da absorção anual de carbono ocorreu após o fim do crescimento.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno está relacionado à disponibilidade de água. Em períodos quentes e secos, as árvores perdem a pressão interna necessária para expandir seus tecidos, interrompendo o crescimento quase imediatamente. A fotossíntese, porém, continua ocorrendo, ainda que em ritmo reduzido.

Isso significa que parte do carbono capturado não é transformada em madeira. Em vez disso, pode ser direcionada para a produção de folhas e raízes, armazenada temporariamente como amido ou utilizada em processos metabólicos essenciais para a sobrevivência da planta.

A distinção é importante porque o carbono incorporado à madeira pode permanecer retido por décadas, séculos ou até milênios. Já o carbono utilizado em estruturas de curta duração tende a retornar mais rapidamente à atmosfera.

Os resultados indicam que projeções que preveem árvores maiores e florestas capazes de absorver quantidades crescentes de carbono em um mundo mais quente e rico em CO₂ podem precisar ser revisadas.

O estudo também identificou que a diferença entre fotossíntese e crescimento foi mais intensa em anos marcados por alternância entre períodos muito úmidos e muito secos — um padrão que tende a se tornar mais frequente com o avanço das mudanças climáticas.

Agora, os pesquisadores investigam se o mesmo comportamento ocorre em outras espécies e ecossistemas. A resposta poderá ajudar a refinar os modelos que estimam o papel das florestas no combate ao aquecimento global.

Fonte: Um só Planeta

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