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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Agência confirma chegada do El Niño, fenômeno já está ativo no oceano

O Serviço Nacional de Meteorologia da NOAA, agência dos Estados Unidos, anunciou hoje que o El Niño se formou no Pacífico tropical e emitiu um alerta

12 de junho de 2026
4 min. de leitura
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Imagens de satélite mostrando a diferença entre as temperaturas médias da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical (representadas por vários tons de vermelho e laranja para indicar o calor), durante a primeira semana de junho de 2026, e a linha de base usada pelo programa Coral Reef Watch da NOAA. Foto: NOAA Satellites

Depois de diversos meses de previsões, o El Niño começou oficialmente, afirmam cientistas dos Estados Unidos. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) declarou nesta quinta-feira (11/06) que as condições do El Niño já estão em curso no Pacífico tropical, com um aumento acentuado da temperatura da superfície do mar nos últimos meses.

As temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e tropical já ultrapassaram o limite de 0,5°C acima da média, o que os cientistas da NOAA usam para definir um evento El Niño. A NOAA também observou que os ventos sobre o Pacífico equatorial começaram a mudar – um sinal de que a atmosfera agora está respondendo ao aquecimento do oceano.

De acordo com a previsão de junho da NOAA, “há 63% de chance de um El Niño muito forte durante o período de novembro a janeiro, o que o classificaria entre os maiores eventos de El Niño já registrados historicamente, desde 1950”, afirmou a agência.

A maior preocupação dos cientistas é que isso está acontecendo em um planeta que já está muito mais quente, devido ao avanço das mudanças climáticas. “Precisamos nos preocupar com os impactos. O atual El Niño está se somando a um aquecimento global substancial. Isso significa que as temperaturas reais nas regiões afetadas podem ser sem precedentes, já que o aquecimento causado pelo El Niño está sendo intensificado pelas mudanças climáticas”, afirmou à BBC o professor Adam Scaife, chefe de previsão do Met Office do Reino Unido.

A confirmação já era esperada por meteorologistas, depois de meses de aquecimento gradual no Pacífico e de projeções indicando alta probabilidade de desenvolvimento do fenômeno ainda no primeiro semestre de 2026.

No começo de junho, por exemplo, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU responsável pelo monitoramento do clima, alertou para a possibilidade de um episódio “potencialmente forte” de El Niño nos próximos meses. Em maio, a NOAA apontava 82% de chance de formação do El Niño nos meses seguintes.

“Precisamos nos preparar para um evento de El Niño potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

No Brasil, os efeitos variam conforme a região e com a época do ano (atualmente, o pico previsto é entre novembro e janeiro). Historicamente, o El Niño costuma aumentar a chuva no Sul, o que pode elevar o risco de temporais e cheias. No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as precipitações e pode agravar períodos de seca. No Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos podem ser mais irregulares, com calor mais frequente, pancadas mal distribuídas e mudanças no comportamento das frentes frias, reporta o G1.

O que é o El Niño?

O El Niño e o La Niña são antagônicos dentro do fenômeno atmosférico-oceânico El Niño Oscilação Sul (ENOS). Os dois compõem o ENOS, mas têm características adversas tanto na região onde são formados, quanto nos locais que sofrem a interferência dessa ocorrência climática.

Ambos os episódios ocorrem no Oceano Pacífico Equatorial. Como base de comparação, o Pacífico tem a temperatura considerada normal e, a partir dela, as variações para o cenário mais quente, que é o El Niño, e o mais frio, que é o La Niña. Os dois efeitos têm a ver com a mudança de intensidade dos ventos alísios, que sopram de Leste a Oeste.

“O El Niño é um episódio caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, enquanto o La Niña é caracterizado pelo resfriamento. Isso causa impactos diferentes no clima”, disse Ferreti. “Ao pensar em Brasil, o El Niño é marcado por muita chuva na região Sul e seca no Nordeste. Durante o La Niña, o clima é mais seco e frio no Sul e tem mais chuva no Nordeste. Eles são fenômenos opostos”, explicou Ferretti.

Uma das grandes dúvidas é com relação aos efeitos das mudanças do clima nos próximos anos. Segundo o meteorologista e coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, há pesquisas que indicam que o El Niño será mais frequente, enquanto o La Niña aparecerá menos.

“O próprio aquecimento da Terra poderá resultar no El Niño, pois o oceano tende a se manifestar dessa forma. É o que teremos para o futuro”, disse. Além da frequência, outra questão poderá ser a intensidade. Para Ferretti, a mudança do clima já demonstra a intensificação da força e da frequência de eventos climáticos extremos. “Poderemos ter, em anos de La Niña, secas ainda mais intensas na região Sul, com chuvas ainda mais fortes nas regiões Norte e Nordeste. E o cenário poderá se inverter em anos de El Niño”, disse.

Fonte: Um só Planeta

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