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AQUECIMENTO DO OCEANO

Estudo aponta que tubarões-tigre mudaram comportamento e ficam até dois anos em Fernando de Noronha

Permanência maior dos tubarões-tigre eleva número de animais na ilha e pode estar ligada às mudanças climáticas, aponta estudo de 12 anos da UFRPE.

27 de abril de 2026
Ana Clara Marinho
3 min. de leitura
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Foto: Drausio Verás/Projeto Ecotuba

Tubarões-tigre mudaram o comportamento e passaram a ficar mais tempo em Fernando de Noronha, segundo estudo da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A conclusão é resultado de 12 anos de monitoramento na ilha.

De acordo com o pesquisador Paulo Oliveira, coordenador do Projeto Ecotuba, os dados dos transmissores instalados nos animais mostram que Noronha deixou de ser apenas rota de passagem rápida. Alguns tubarões-tigre permanecem na região por até dois anos.

“No passado, após a marcação, os tubarões eram detectados por poucos meses e depois seguiam a migração. Hoje, permanecem por mais tempo na região, ficam até dois anos”, explicou Oliveira.

Para o pesquisador, a mudança pode estar relacionada à segurança dos animais.

“Os tubarões-tigre encontram em Fernando de Noronha melhores condições de sobrevivência, como oferta de alimento e qualidade da água. Além disso, a mudança pode estar ligada às alterações climáticas, como o aumento da temperatura dos oceanos”, afirmou o estudioso.

Residência na ilha?

Apesar do aumento no tempo de permanência, o estudo não confirma que os tubarões-tigre sejam residentes em Noronha.

“Não podemos afirmar que o animal seja residente. Para isso, ele precisa completar todo o ciclo de vida no mesmo local, ou seja, nascer, crescer, se alimentar e se reproduzir. Em Fernando de Noronha, isso ainda não acontece com os tubarões-tigre”, explicou Paulo Oliveira.

População de tubarões-tigres

O estudo também aponta aumento no número de tubarões-tigre na região. “Antes, eles ficavam pouco tempo. Atualmente, com a permanência maior, há mais animais em Noronha”, disse.

O pesquisador afirmou que os tubarões-tigre não costumam se aproximar da praia. Já o tubarão-limão é visto com frequência perto da areia.

Paulo Oliveira recomenda cautela em caso de encontro com a espécie. “Se a pessoa avistar um tubarão-tigre, deve manter distância. Caso o animal mude o comportamento, como arquear as nadadeiras, o ideal é sair da água”, orientou.

O estudo também identificou que as fêmeas ficam no chamado “mar de dentro”, área voltada para o continente americano e com águas mais calmas.

“As fêmeas, principalmente as prenhas, buscam locais mais tranquilos, protegidos e com oferta de alimento”, explicou.

Os machos permanecem no “mar de fora”, área voltada para o sudeste, em direção ao continente africano, onde o mar é mais agitado.

“São animais mais jovens, que preferem áreas abertas. Eles exploram mais o espaço e têm comportamento mais ativo de caça”, afirmou.

Expedição

Os pesquisadores estão em Fernando de Noronha desde o dia 16, na primeira expedição científica do ano, que segue até terça-feira (28). Em cinco saídas de barco, foram instalados transmissores em 15 tubarões.

Os equipamentos foram instalados nas seguintes espécies:

  • ⁠4 tubarões-tigre
  • ⁠8 tubarões-bico-fino
  • 2 tubarões-limão
  • 1 tubarão-sucuri

A pesquisa também instalou dois novos receptores. Ao todo, o estudo conta com 18 equipamentos que captam sinais quando animais marcados passam pela região.

O trabalho realiza duas expedições por ano para instalar dispositivos e coletar dados em Fernando de Noronha.

Fonte: G1

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