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POLUIÇÃO

Esgotos ameaçam proteção do oceano: 73% das áreas marinhas protegidas do mundo estão contaminadas

As conclusões preocupantes resultam da avaliação de mais de 16.000 áreas marinhas protegidas nas regiões do Médio Oriente e Norte de África, do Oceano Índico, do Triângulo de Coral (que abrange o sudeste asiático e o Pacífico ocidental), da Australásia e Melanésia, da África Oriental e das Caraíbas e Bahamas.

31 de maio de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Ries Bosch / Unsplash

Quase três em cada quatro áreas marinhas protegida a nível global estão poluídas por descargas de esgotos, revela novo estudo.

De acordo com a investigação da organização Wildlife Conservation Society (WCS) e da Universidade de Queensland (Austrália), o problema é ainda mais grave nas regiões mais fundamentais para recifes de coral e para a vida marinha tropical: entre 87% e 92% das áreas protegidas estão a ser afetadas. Estima-se que a poluição por esgotos nessas zonas poderá ser até 10 vezes maior do que a de águas envolventes que não estão protegidas.

As conclusões preocupantes resultam da avaliação de mais de 16.000 áreas marinhas protegidas nas regiões do Médio Oriente e Norte de África, do Oceano Índico, do Triângulo de Coral (que abrange o sudeste asiático e o Pacífico ocidental), da Australásia e Melanésia, da África Oriental e das Caraíbas e Bahamas.

Explica a WCS, em comunicado, que os esgotos, águas usadas nas casas e pelas empresas que fluem através de sistemas de águas residuais para os rios e mares, transportam nutrientes, patógenos e químicos que têm impactos negativos em importantes recifes de coral e em pradarias de ervas marinhas e afetam também os ecossistemas costeiros.

Estudos já demostraram que a poluição por esgotos está associada ao declínio de recifes de coral pelo mundo fora, a explosões nocivas de algas e até a doenças semelhantes ao Alzheimer em golfinhos.

Em 2022, mais de 190 países adotaram o Quadro Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, cujo um dos grandes objetivos é proteger 30% dos habitats terrestres, marinhos, de água doce e costeiros do mundo até 2030. Contudo, os autores deste artigo publicado na revista ‘Ocean & Coastal Management’ avisam que esses esforços para proteger mais e mais áreas do oceano estão a falhar num aspeto crucial: as áreas marinhas protegidas não podem desempenhar o seu papel se continuarem a ser contaminadas com poluição.

“O que descobrimos foi impressionante”, admite David Carrasco Rivera, que, juntamente com Amelia Wenger, assina do estudo.

“Ao usar dados sobre a poluição global, mapeámos a exposição às águas residuais de milhares de áreas marinhas protegidas e fizemos comparações com águas não protegidas nas proximidades”, explica. “Em região atrás de região, as áreas reservadas à conservação estavam, na verdade, mais poluídas do que as áreas sem qualquer tipo proteção”, acrescenta.

Por seu lado, Amelia Wenger avisa que nem mesmo uma área protegida “gerida de forma exemplar” trata benefícios para a biodiversidade e para as pessoas se continuar exposta à poluição pelos esgotos que são lançados aos mares ou aos rios que neles acabam por desaguar.

“Não podemos por uma barreira dentro da área protegida para impedir a entrada da poluição. A solução tem de ser encontrada em terra, a montante, e tem de ser parte da forma como os governos planeiam e financiam a proteção do oceano. Neste momento, não é isso que acontece”, lança a investigadora.

Fonte: Greensavers

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