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AUMENTO DAS TEMPERATURAS

Tempestades de granizo mais destruidoras podem ficar até 50% mais frequentes com mudanças climáticas, diz novo estudo

Pesquisa indica aumento de até 47% em episódios com pedras de gelo maiores até o fim do século; infraestrutura urbana e painéis solares estão entre os mais vulneráveis

29 de maio de 2026
Nilson Cortinhas
3 min. de leitura
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Foto: Getty Images

As mudanças climáticas podem transformar o granizo em um dos eventos extremos mais caros e destrutivos das próximas décadas. Um estudo, publicado na revista Nature, repercutido pela Agência Associated Press, aponta que o aquecimento global tende a aumentar a formação de pedras de gelo maiores e mais danosas, com riscos para telhados, carros, plantações, painéis solares e infraestrutura urbana em geral.

A pesquisa projeta que tempestades com pedras de granizo maiores do que uma bola de gude podem crescer entre 38% e 47% até o fim do século, dependendo do volume de emissões de gases de efeito estufa. Em contrapartida, tempestades com pedras menores tendem a diminuir.

O estudo parte de uma lógica atmosférica simples: um planeta mais quente retém mais vapor d’água e mais energia na atmosfera, criando condições favoráveis para tempestades mais intensas.

“Isso leva a correntes ascendentes mais fortes dentro das tempestades e aumenta a capacidade de formação de granizo”, explicou o professor de meteorologia da Central Michigan University e coautor do estudo, John Allen, à Associated Press.

Segundo os pesquisadores, o aumento da temperatura também favorece a sobrevivência das pedras maiores até o solo. Enquanto granizos pequenos derretem com mais facilidade em uma atmosfera mais quente, os maiores conseguem atravessar as camadas de ar e atingir o solo com mais força.

Prejuízos

Embora raramente provoque mortes, o granizo já gera perdas bilionárias. O fenômeno custa cerca de US$ 10 bilhões por ano nos Estados Unidos e aproximadamente US$ 80 bilhões globalmente. “Temos observado pedras de granizo recordes nos últimos anos. Acho isso extremamente preocupante porque não estamos construindo nosso ambiente para ser resiliente ao granizo”, afirmou Allen.

O pesquisador alertou que padrões de construção ainda ignoram o aumento da intensidade desse tipo de evento extremo, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países. Pedras de granizo maiores pesam mais e caem em maior velocidade, aumentando o impacto sobre estruturas urbanas. De acordo com o cientista climático da ETH Zurich, Andreas Prein, granizos com cerca de cinco centímetros já são capazes de provocar “grandes danos a veículos, telhados, painéis solares e outras infraestruturas”, disse.

Os pesquisadores afirmam que o problema tende a crescer à medida que cidades expandem infraestrutura em áreas vulneráveis e multiplicam equipamentos expostos, como usinas solares e telhados metálicos.

“A crise climática pode estar ampliando o potencial para granizo maior e mais destrutivo em algumas regiões, mas as perdas futuras também dependerão fortemente de onde as pessoas constroem, do que constroem e do grau de resiliência dessas estruturas”, afirmou Walker Ashley, professor de meteorologia da Northern Illinois University à AP.

Atmosfera mais quente

O estudo utilizou modelagem tridimensional para simular a formação de granizo em diferentes cenários climáticos. Os autores concluíram que o aumento do vapor d’água na atmosfera intensifica as correntes ascendentes dentro das nuvens de tempestade, permitindo que pedras de gelo permaneçam mais tempo suspensas e cresçam antes de cair.

Atualmente, há cerca de 7% mais vapor d’água disponível na atmosfera a cada grau Celsius adicional de aquecimento global, segundo os pesquisadores.

Os maiores aumentos de granizo extremo devem ocorrer em regiões como Argentina, Europa, Canadá e as planícies do norte dos Estados Unidos. Em algumas áreas tropicais, no entanto, o estudo projeta redução do granizo menor devido ao derretimento mais rápido das pedras antes de atingirem o solo.

“O granizo não é apenas um problema dos Estados Unidos”, garantiu Allen. “Os prejuízos globais relacionados ao granizo parecem estar saindo de controle nos últimos anos”.

Fonte: Um só Planeta

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