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POLUIÇÃO

Emissões de metano de combustíveis fósseis seguem em nível elevado, diz AIE

Relatório aponta que setor respondeu por 35% das emissões globais ligadas à atividade humana em 2025

4 de maio de 2026
AFP
2 min. de leitura
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Foto: Leonid Sorokin/Adobe Stock

As emissões de metano associadas às energias fósseis permanecem em patamar elevado, apesar dos alertas climáticos, informou nesta segunda-feira, 4, a Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a entidade, a produção recorde de petróleo, carvão e gás em 2025 fez com que o setor respondesse por 35% das emissões de metano de origem humana, o equivalente a 124 milhões de toneladas. O volume representa leve alta em relação a 2024, quando foram registradas 121 milhões de toneladas.

Os dados constam no relatório anual Global Methane Tracker, divulgado durante uma reunião internacional em Paris, realizada no contexto da presidência francesa do G7.

De acordo com a AIE, as emissões seguem próximas aos níveis recordes de 2019 e continuam concentradas principalmente na indústria de petróleo, responsável por 45 milhões de toneladas. Em seguida aparecem o carvão (43 milhões) e o gás natural (36 milhões).

A agência afirma que não há sinais de redução nas emissões globais de metano relacionadas à energia em 2025.

Principal componente do gás natural, o metano é um gás inodoro e invisível, liberado tanto por atividades industriais — como vazamentos em gasodutos — quanto por fontes como a pecuária e os aterros sanitários.

No total, o mundo emite cerca de 580 milhões de toneladas de metano por ano, sendo aproximadamente 60% decorrentes de atividades humanas, com destaque para os setores de agricultura e energia.

Com potencial de aquecimento significativamente maior que o do dióxido de carbono (CO₂), o metano responde por cerca de 30% da elevação da temperatura média global desde a Revolução Industrial. Por outro lado, sua permanência mais curta na atmosfera faz com que a redução dessas emissões possa gerar efeitos positivos mais rápidos sobre o clima.

Na indústria de petróleo e gás, o metano é liberado principalmente por falhas em equipamentos e durante operações de ventilação e queima. Ainda assim, a AIE afirma que há tecnologias disponíveis capazes de evitar cerca de 30% dessas emissões sem custos adicionais, já que o gás recuperado pode ser reaproveitado comercialmente.

A entidade também destaca que a captura desse volume desperdiçado poderia contribuir para o reforço da oferta global de energia, hoje pressionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. A estimativa é de que até 200 bilhões de metros cúbicos de gás possam ser recuperados anualmente, sendo 15 bilhões com implementação imediata.

Esse volume corresponde ao dobro do gás que transita todos os anos pelo estreito de Ormuz, região estratégica que enfrenta interrupções desde o início do conflito na região.

Fonte: Estadão

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