Um levantamento inédito sobre os principais tipos de lixo marinho revelou que as praias do mundo estão predominantemente contaminadas de embalagens plásticas de alimentos, tampas e garrafas plásticas. Esses foram os itens individuais mais citados em mais da metade de todos os países avaliados no estudo publicado nesta quarta-feira (20/05) na revista científica One Earth.
Cobrindo uma área que representa cerca de 86% da população mundial, o levantamento sobre poluição marinha se destaca por classificar os detritos em tipos de uso. As embalagens plásticas de comida e bebida predominam em quantidade nas regiões costeiras da maioria dos países, incluindo os cinco mais populosos do mundo: Índia, China, EUA, Indonésia e Paquistão.
Em nível global, sacolas plásticas e bitucas de cigarro também estão entre os detritos abundantes nos mares. Segundo os cientistas da pesquisa, liderada pela Universidade de Plymouth, afirmam em comunicado, os dados obtidos escancaram que o apenas o gerenciamento de resíduos plásticos é insuficiente para lidar com a poluição, de forma que medidas urgentes para a redução da produção de plástico são necessárias.
Rastreando o lixo plástico do mundo
Estima-se que há cerca de 170 trilhões de partículas de plástico nos oceanos. Isso equivale a uma massa total de 2,3 milhões de toneladas de lixo, mas essa quantidade deve ser consideravelmente maior, já que muitos detritos chegam a afundar ou se decompor em microplásticos antes que qualquer contagem seja feita.
O novo estudo se constituí na reunião de mais de 5 mil levantamentos de lixo em praias de sete continentes, nove sistemas oceânicos e 13 mares regionais de 112 nações. A tarefa de compilar tantos dados foi complexa e integra os esforços do projeto Plásticos nas Sociedades Indonésias (PISCES), iniciativa internacional que busca combater o problema da poluição plástica na Indonésia.
Pela abrangência e especificidade trabalhadas em conjunto, a pesquisa foi capaz de identificar “as categorias mais abundantes de detritos em escalas nacional, regional e global, indicando não apenas onde priorizar intervenções, mas também quais tipos de itens focar”, destaca Richard Thompson, professor da Universidade de Plymouth e autor do estudo, em comunicado.
Ele diz que as descobertas da pesquisa são cruciais para orientar setores industriais e de poder público para pontos específicos de foco no combate à poluição plástica em todo o planeta, já que o levantamento indica que intervenções relacionadas a embalagens plásticas de alimentos e bebidas são uma prioridade para 93% dos países estudados.
Fonte: Revista Galileu