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TRÁFICO

Delegado revela quais são as aves silvestres mais resgatadas de cativeiros ilegais no ES

Populares entre colecionadores, espécies têm papel essencial na natureza e não devem ser mantidas em cativeiro

11 de abril de 2026
3 min. de leitura
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Canário-da-terra, trinca-ferro e coleiro são as aves silvestres mais apreendidas. Foto: Canva, Augusto Alves e Canva

O aumento no número de aves resgatadas em operações da Polícia Civil expõe um cenário preocupante de cativeiros ilegais e maus-tratos na Grande Vitória. Entre as aves silvestres mais resgatadas após a apreensão estão: o canário-da-terra, o coleiro e o trinca-ferro.

Somente nesta semana, duas ações resultaram no resgate de 99 aves em Vila Velha. Na terça-feira (7), oito animais foram apreendidos em Cobilândia e Aribiri. Já na quinta-feira (9), outros 91 foram encontrados em situação irregular em Jardim Guaranhuns.

Em entrevista ao Folha Vitória, o delegado Leandro Piquet, responsável pelo Núcleo de Proteção Animal da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (DEPMA), detalhou quais são as espécies mais atingidas por esse tipo de crime.

Os animais mais apreendidos são o canário-da-terra, o coleiro e o trinca-ferro. São aves locais, muito comuns, e que acabam sendo capturadas e mantidas de forma irregular.

Segundo o delegado, apesar de populares entre colecionadores, essas espécies têm papel essencial na natureza e não deveriam ser mantidas em cativeiro sem autorização.

Quando você aprisiona essas aves, você compromete todo um ecossistema, porque elas polinizam, comem muitos insetos, então têm um papel fundamental no ecossistema, ainda mais nos centros urbanos. Então é muito importante que essas aves fiquem livres.

Durante a operação mais recente, nove coleiros foram apreendidos, além de diversos canários-da-terra, incluindo um caso extremo de maus-tratos.

“Encontramos um canário-da-terra totalmente exposto ao sol, com uma chapa de ferro sobre ele. O animal praticamente cozinhava durante o dia. A probabilidade de morte era muito alta”, relatou Piquet.

Dados reforçam cenário de violência contra animais

Segundo dados obtidos no painel do Observatório da Segurança Pública da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), em 2026 já foram registrados 152 casos de maus-tratos a animais no Espírito Santo.

Desse total, 113 ocorrências envolvem cães e 51 envolvem aves. Entre os crimes identificados estão abuso, atropelamento, espancamento e abandono.

Já no ano de 2025 foi registrado o total de 625 casos de maus-tratos a animais no Estado. Entre eles, são destacados 472 contra cachorros e 170 contra pássaros.

Ações encontram aves de origem de fora do Brasil

Durante as ações, também foram encontradas aves de fora do país, oriundas de regiões como Indonésia e Austrália. “Quando você insere uma espécie exótica no ambiente, pode causar impactos significativos no ecossistema local”.

Segundo Piquet, essas aves costumam ter alto valor no mercado ilegal, seja pela beleza ou pela capacidade de canto, as características que alimentam a prática de “colecionar” animais.

Quando você quer colecionar, não colecione vidas, colecione carro, moeda, selo. Mas você colecionar vidas é totalmente prejudicial ao meio ambiente.

Delegado destaca que denúncias são fundamentais

Leandro Piquet destacou que a participação da população tem sido decisiva para o avanço das operações. “Nossos canais são múltiplos. Se a pessoa presenciar o crime no momento, pode ligar para o 190. A Polícia Militar vai atender imediatamente”.

Para quem prefere não se identificar, também é possível denunciar de forma anônima pelo 181, que conta com telefone, site e WhatsApp para envio de fotos e vídeos.

“É só procurar pela modalidade de ‘crimes contra o meio ambiente’ e na sequência por ‘maus-tratos aos animais’. Também é possível registrar ocorrência em qualquer delegacia”, disse.

O que diz o Ibama sobre aves silvestres?

Por meio de nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a criação de animais silvestres ou exóticos como animais de estimação não é permitida, exceto em situações expressamente autorizadas pela legislação ambiental.

Cabe destacar que, após a edição da Lei Complementar nº 140/2011, a competência para autorizar a criação de animais silvestres passou a ser atribuída aos órgãos ambientais estaduais, e não mais ao Ibama.

As penalidades aplicáveis a quem mantém animais silvestres ou exóticos de forma ilegal incluem multas administrativas, apreensão dos animais e outras sanções previstas na legislação ambiental.

Ibama, por nota

 

Fonte: Folha de Vitória

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