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ESTUDO

Degelo no Ártico libera carbono estocado há milênios e intensifica crise climática

Estudo aponta aumento no fluxo de rios e na emissão de carbono antigo, ampliando impactos no sistema climático global

7 de abril de 2026
3 min. de leitura
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Geleira na Groenlândia. Foto: MB Photography/Getty Images

O degelo acelerado no Ártico está liberando grandes quantidades de carbono armazenado há milhares de anos, segundo um novo estudo liderado pelo geocientista Michael Rawlins, da Universidade de Massachusetts Amherst. A pesquisa mostra como o aumento das temperaturas está alterando os sistemas hídricos da região e contribuindo para o aquecimento global.

A análise abrangeu uma área no norte do Alasca comparável ao estado de Wisconsin, onde centenas de rios deságuam no Beaufort Sea. Com base em 44 anos de dados modelados em alta resolução, os cientistas identificaram aumento significativo no escoamento de água, maior transporte de carbono pelos rios e prolongamento da temporada de degelo, que agora se estende até o fim do verão e início do outono.

Os rios do Ártico têm papel desproporcional no sistema global: transportam cerca de 11% da água fluvial do planeta para um oceano que concentra apenas 1% do volume total. Esse desequilíbrio torna o Oceano Ártico particularmente sensível a mudanças ambientais.

Com o aquecimento, a chamada “camada ativa” do solo — que descongela sazonalmente — está se aprofundando, permitindo maior fluxo de água subterrânea e liberando matéria orgânica antiga. Esse material chega aos rios como carbono orgânico dissolvido e, posteriormente, ao oceano.

Estima-se que mais de 275 milhões de toneladas desse carbono sejam convertidas anualmente em dióxido de carbono, reforçando um ciclo que intensifica o aquecimento global.

Devido à escassez de medições diretas no norte do Alasca, os pesquisadores recorreram a modelos computacionais avançados. O modelo utilizado, desenvolvido ao longo de 25 anos, simula processos como acúmulo de neve, degelo e dinâmica do solo. Em projeções para os próximos 80 anos, os resultados indicam aumento de até 25% no escoamento hídrico e 30% no fluxo subterrâneo, além de maior tendência de secas em áreas ao sul.

A região noroeste do Alasca apresentou o maior crescimento na liberação de carbono, devido à maior concentração de matéria orgânica acumulada em terrenos mais planos. Já áreas montanhosas no leste mostraram menor mobilização desse material.

O estudo também destaca que o prolongamento da temporada de degelo — agora avançando até setembro e outubro — pode impactar a salinidade, os ciclos de nutrientes e as cadeias alimentares no mar de Beaufort.

Segundo os pesquisadores apontam que ainda há lacunas importantes na compreensão do transporte de carbono dos continentes para os oceanos. Segundo Rawlins, ampliar esse conhecimento é essencial para avaliar com precisão os efeitos das mudanças climáticas nos ecossistemas costeiros.

A pesquisa contou com apoio da National Science Foundation e da NASA.

Fonte: Um só Planeta

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