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ESTUDO

Como o calor gerado pelo trânsito aumenta a temperatura das cidades

Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, revelou que o calor gerado pelos veículos contribui para níveis de estresse térmico em humanos; entenda

18 de abril de 2026
Sarah Macedo
4 min. de leitura
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Foto: Universidade de Manchester

Você provavelmente já deve ter reparado em como as áreas urbanas estão ficando cada vez mais quentes. Mas algo que você provavelmente não sabia é que o seu carro pode estar contribuindo para isso.

Em um novo estudo, publicado na revista científica Journal of Advances in Modeling Earth Systems, pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, desenvolveram uma nova forma de medir como o tráfego em cidades pode contribuir para o aumento de temperatura.

Segundo os cientistas, o calor liberado pelos veículos — resultado da queima de combustível e do funcionamento dos motores — tem um impacto direto no aquecimento urbano. Usando o Modelo do Sistema Terrestre da Comunidade (CESM, na sigla em inglês), um modelo computacional que fornece simulações detalhadas do clima da Terra, a equipe conseguiu simular como esse calor interage com ruas, edifícios e o ar que circula na região.

“A pesquisa sobre o calor urbano tem se concentrado tradicionalmente em edifícios, materiais e superfícies terrestres. No entanto, o calor direto produzido por veículos — de motores, escapamentos e frenagem — recebeu muito menos atenção em modelos climáticos de grande escala”, disse Zhonghua Zheng, co-líder de Ciência de Dados Ambientais e IA no Instituto de Pesquisa Ambiental de Manchester e autor principal do estudo, em comunicado. “Nosso modelo permitirá que os cientistas simulem como o calor liberado pelos veículos interage com as ruas, os edifícios e a atmosfera ao redor.”

Os resultados da pesquisa mostram que, na cidade de Manchester, o tráfego elevou a temperatura do ar em cerca de 0,16 °C no verão e 0,35 °C no inverno. Embora os números pareçam pequenos, os pesquisadores apontam que esse aumento pode fazer diferença significativa durante eventos extremos de calor.

De acordo com o modelo utilizado pelos pesquisadores, durante a onda de calor que atingiu o Reino Unido em julho de 2022, o calor gerado pelos veículos contribuiu para intensificar a sensação térmica nas pessoas. Como resultado, o corpo atinge níveis de estresse térmico perigosos mais rapidamente e por períodos mais longos, o que pode trazer riscos à saúde como desidratação, insolação e até mesmo insuficiência renal.

Outro ponto que o estudo constatou é que esse efeito do calor não se limita ao ambiente externo. Os pesquisadores indicam que o calor liberado nas ruas pode invadir os edifícios, elevando também as temperaturas internas e aumentando a demanda por ar-condicionado, o que acaba agravando ainda mais o aquecimento urbano.

Diferentemente de modelos anteriores, a nova abordagem também permite analisar o impacto de diferentes tipos de veículos, como carros a gasolina, diesel, híbridos e elétricos, além de responder a mudanças no tráfego e nas condições climáticas.

Com os resultados do estudo será possível entender, futuramente, como as políticas de transporte e a transição para veículos mais limpos podem influenciar a adaptação do ambiente diante das mudanças climáticas.

Fonte: Revista Galileu

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