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PERDA DE BIODIVERSIDADE

Boom da pecuária pressiona natureza e agrava crise climática, aponta relatório

Número de animais criados para produção de carne, leite e ovos cresceu 50% no mundo em duas décadas, aumentando a demanda por terras, água e fertilizantes, segundo levantamento

2 de julho de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Unplash

O crescimento acelerado da pecuária nas últimas duas décadas vem ampliando a pressão sobre os ecossistemas naturais e agravando a crise climática. Um relatório divulgado pela aliança Stop Financing Factory Farming mostra que o número de mamíferos e aves criados para a produção de carne, leite e ovos aumentou 50% desde 2006, enquanto a área destinada ao cultivo de ração animal cresceu cerca de 25%.

Segundo o estudo, a expansão da produção pecuária intensifica a perda de biodiversidade, aumenta a pressão sobre recursos hídricos e contribui para o avanço da degradação do solo em um momento em que as terras agrícolas já enfrentam perda de fertilidade. Hoje, uma área equivalente ao território do Canadá sofre algum grau de degradação.

O relatório também destaca que aproximadamente 90% da água retirada de sistemas naturais para irrigação é destinada ao cultivo de alimentos para animais.

O levantamento foi publicado 20 anos após o lançamento de Livestock’s Long Shadow, relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) considerado um marco nos debates sobre os impactos ambientais da pecuária. Ao atualizar os principais indicadores do estudo original, os pesquisadores concluíram que a maior parte das tendências evoluiu em direção oposta à necessária para reduzir os impactos ambientais.

Em entrevista ao The Guardian, Peter Stevenson, assessor-chefe de políticas públicas da organização Compassion in World Farming, afirmou que alguns avanços obtidos pelo setor, como a redução das emissões de gases de efeito estufa por unidade de carne produzida, foram anulados pelo crescimento do rebanho mundial.

De acordo com dados da FAO citados no relatório, as emissões provenientes da pecuária cresceram mais de 20% entre 2001 e 2023. No mesmo período, cerca de 33 bilhões de animais foram adicionados aos sistemas de produção em todo o mundo. Em 2023, havia 94,9 bilhões de mamíferos e aves destinados ao abate ou à produção de leite e ovos, ante 61,8 bilhões registrados em 2006.

A produção de aves por habitante aumentou mais de cinco vezes desde 1961. Foto: FAO/ Reprodução/The Guardian

O estudo também alerta para o aumento do uso de fertilizantes na produção de ração animal. Segundo os autores, esse processo, aliado ao descarte de dejetos da pecuária, favorece a formação de zonas mortas nos oceanos — regiões com baixos níveis de oxigênio onde a vida marinha é severamente afetada.

A maior dessas áreas está localizada no Golfo do México, onde a biodiversidade marinha vem sendo eliminada em uma extensão equivalente ao tamanho do estado americano de Connecticut.

Também em entrevista ao The Guardian, Merel van der Mark, diretora de bem-estar animal e finanças da organização Sinergia Animal, afirmou que reverter essa trajetória exigirá mudanças profundas nos padrões de consumo.

Segundo ela, apenas uma transição ampla para dietas menos dependentes de carne poderá reduzir os impactos da produção pecuária sobre o planeta.

Fonte: Um só Planeta

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