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ESTUDO

Algumas abelhas estão mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas do que outras

Desde tocas no solo até caules finos de plantas, os locais onde as abelhas nativas fazem seus ninhos podem determinar o quão bem elas se adaptam a um clima mais quente, sugere uma nova pesquisa.

15 de junho de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Carmem da Silva

Espécies de abelhas que fazem seus ninhos em caules de plantas parecem estar sob maior risco a curto prazo devido ao aumento das temperaturas causado pelas mudanças climáticas, enquanto aquelas que fazem seus ninhos no solo são mais capazes de escapar do calor extremo, de acordo com uma nova pesquisa de ecologistas evolucionistas australianos.

O estudo, publicado hoje na revista internacional Nature Communications, avaliou a tolerância ao calor em 95 espécies diferentes de abelhas nativas no leste da Austrália continental, em todas as latitudes, de norte a sul.

Pesquisadores da Universidade Macquarie, da Universidade de Sydney, da Universidade La Trobe, da Universidade Flinders, da Universidade de Wollongong, da Universidade de Adelaide e da Universidade de Queensland investigaram como a tolerância ao calor evoluiu em diversas espécies de abelhas e compararam sua sensibilidade às mudanças climáticas.

As abelhas nativas australianas – das quais existem cerca de 1700 espécies – apresentam três principais comportamentos de nidificação: algumas constroem seus ninhos em tocas no solo, outras em cavidades na madeira, como ocos de árvores ou galhos mortos caídos, e outras ainda em caules de plantas ou orifícios já existentes em pequenos galhos.

“As abelhas que fazem seus ninhos no subsolo podem se proteger do calor extremo – como resultado, elas não experimentam temperaturas tão altas quanto as que vivem acima do solo, particularmente as espécies que vivem em caules finos de plantas que oferecem muito pouco isolamento contra o calor externo”, diz a autora principal, Dra. Carmen da Silva, pesquisadora do Centro de Pesquisa sobre o Futuro dos Polinizadores da Universidade Macquarie, em Sydney.

“Espécies que constroem ninhos em caules parecem ter a menor capacidade de escapar de temperaturas ambientais desfavoráveis ​​e provavelmente serão as mais impactadas pelas mudanças climáticas antropogênicas no curto prazo.”

“As abelhas são essenciais para os ecossistemas em todo o mundo devido ao seu papel como polinizadoras, e estão ameaçadas pelo aquecimento e ressecamento do clima”, afirma o Dr. da Silva. “As abelhas sustentam os ecossistemas nativos e desempenham um papel crucial na produção agrícola – as abelhas nativas tropicais são polinizadoras vitais para culturas como nozes de macadâmia, abacates, mangas e lichias.”

A Dra. Vanessa Kellermann, professora sênior do Departamento de Ecologia, Ciências Vegetais e Animais da Universidade La Trobe, afirma que a pesquisa também encontrou uma clara tendência de aumento da vulnerabilidade às mudanças climáticas perto do equador, com as abelhas tropicais correndo maior risco.

“Prever quais espécies serão vulneráveis ​​às mudanças climáticas é um dos maiores desafios da ecologia”, afirma o Dr. Kellermann, um dos autores principais do estudo. “Descobrimos que as espécies de abelhas com maior tolerância ao calor não eram necessariamente as mais seguras em relação ao aquecimento global, porque muitas delas já vivem em ambientes extremamente quentes.”

“Ainda sabemos muito pouco sobre a maioria das incríveis abelhas nativas da Austrália”, diz a Dra. Ros Gloag, coautora sênior e professora de Biologia Evolutiva na Escola de Ciências da Vida e do Meio Ambiente da Universidade de Sydney. “Este estudo nos ajuda a reconhecer que ter uma melhor compreensão do comportamento das abelhas nativas é fundamental para identificar as maiores ameaças às suas populações selvagens.”

Traduzido de EurekAlert.

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