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DECISÃO DEVASTADORA

Últimas orcas em cativeiro na França serão enviadas a zoológico após transferência para santuário ser negada

Escolhido como destino pelas autoridades francesas, o Loro Parque mantém shows com cetáceos e já registrou a morte de quatro orcas desde 2019, segundo o Whale Sanctuary Project.

17 de maio de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Whale Sanctuary Project

As orcas Wikie e Keijo, mãe e filho mantidos em cativeiro por anos no Marineland Antibes, na França, continuarão vivendo sob exploração humana após o fracasso da tentativa de transferi-las para um santuário marinho no Canadá. A decisão do governo francês foi confirmada na sexta-feira (15/05) pelo Whale Sanctuary Project, uma ONG da Nova Escócia que buscava acolher os animais em um refúgio costeiro voltado à reabilitação de cetáceos aposentados da indústria do entretenimento.

Em vez do santuário, as duas orcas serão enviadas ao Loro Parque, zoológico localizado em Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha, instalação amplamente conhecida por manter apresentações com cetáceos e por mortes sucessivas de orcas em cativeiro.

O revés representa um duro golpe para o projeto canadense, anunciado há mais de seis anos como uma alternativa ética ao confinamento em tanques de concreto. O santuário planejado em Wine Harbour, na costa da Nova Escócia, teria cerca de 40 hectares, área equivalente a aproximadamente 50 campos de futebol, cercada por redes flutuantes em uma enseada natural.

Baleias e golfinhos criados em cativeiro não conseguem ser devolvidos integralmente à natureza, pois foram privados de desenvolver habilidades essenciais de sobrevivência. Por isso, santuários costeiros oferecem condições significativamente menos cruéis do que parques marinhos e zoológicos, permitindo maior espaço, estímulos naturais e o fim da exploração para entretenimento.

O Marineland Antibes encerrou as atividades em janeiro de 2025 em razão de uma lei francesa aprovada em 2021, que proíbe a manutenção de baleias e golfinhos em cativeiro para fins recreativos. O Canadá já havia adotado uma legislação semelhante em 2019.

Em dezembro do ano passado, autoridades francesas chegaram a declarar que o projeto canadense era a “única solução ética, credível e legalmente compatível” para as orcas. No entanto, o ministro francês da Transição Ecológica, Mathieu Lefevre, recuou posteriormente, alegando que os animais pertenciam legalmente ao Marineland Antibes, que rejeitou a transferência para o Canadá.

Em comunicado, Charles Vinick, CEO do Whale Sanctuary Project, afirmou que a decisão será devastadora para os animais e contraria o espírito da legislação francesa.

“A lei proíbe explicitamente essas práticas”, declarou. “No entanto, o Loro Parque continua dependendo de programas baseados em performances e reprodução, especialmente após a morte de quatro orcas nas instalações desde 2019.”

Segundo ele, enviar Wikie e Keijo para o zoológico espanhol significa perpetuar justamente o modelo de exploração que a legislação pretendia eliminar gradualmente.

Apesar da derrota, o Whale Sanctuary Project informou que seguirá tentando construir o santuário na Nova Escócia. O projeto ainda depende da assinatura de um contrato de arrendamento público e de diversas licenças federais, além da captação integral dos recursos necessários.

O caso mostra como os avanços legislativos contra o cativeiro ainda esbarram em interesses econômicos ligados à indústria do entretenimento marinho. Para Wikie e Keijo, que poderiam ter iniciado uma transição para uma vida com mais liberdade e menos exploração, o futuro continuará restrito aos limites de um tanque.

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