Por Marli Delucca (da Redação)
Os voluntários que estão resgatando os animais, nas áreas atingidas pelo terremoto e o tsunami no Japão, não acreditavam no que ouviram ao telefone na manhã de 22 de março de 2011.
-“Há um golfinho dentro dos campos de arroz!”, Disse o interlocutor.
Voluntário: – “Onde em qual local?
Interlocutor: – “A dois quilômetros da praia no interior da costa em Sendai!”
E lá foram eles, para salvar mais uma frágil vida.
O Sr. Taira Ryo (32), dono de uma loja de produtos para animais a “Dogwood” em Sendai, até tinha planejado visitar Ishinomaki naquele dia.
Desde o terremoto, ele e mais 30 voluntários passaram a resgatar animais de estimação que foram separados de seus donos e também a abrigar os animais, que já não conviviam bem nos abrigos mistos para os refugiados da tragédia. Até essa data, eles estavam com um total de 80 animais entre cães e gatos.
Ele disse que demorou algum tempo para entender aquele estranho telefonema.
Mas acelerou sua Van, em direção a Ishinomaki, e, ao chegar, avistou alguma coisa se contorcendo dentro do campo de arroz, mas que agora estava inundado com a água do mar.
Era uma Toninha (nome científico Neophocaena phocaenoides)
A pessoa que ligou para pedir ajuda, foi o Sr. Masayuki Sato (55).
Ele estava passando com sua bicicleta, no trajeto que faz entre o abrigo e os destroços do que antes era a sua casa, ouviu o espirro de água e notou um objeto marrom escuro dentro da poça de água, onde antes havia um campo de arroz..
“Como fui eu que o achei, eu sabia que “eu tinha” que fazer alguma coisa”.
– “A Toninha também foi mais vítima da tsunami!”, disse o Sr. Sato.
No centro de refugiados, onde ele está abrigado, havia um cartaz com um número de telefone, para quem necessita-se chamar o resgate para animais, e ele voltou ao abrigo e ligou para o número, pois sabia que aquela seria a última esperança para salvar o animal.
O Sr. Taira e um casal de amigos, que foram ao local indicado, fizeram uma maca com as peças de carros e um colchonete (também chamado de futon no Japão), que encontraram nos destroços que estavam por ali.
-“Tentei pegar o golfinho, com um pedaço de rede, mas sem sucesso.
Como só é possível entrar na área dos destroços com botas de borracha alta, o Sr. Taira que já estava preparado, entrou na água e o pegou em seus braços.
Todos os aquários da prefeitura foram danificados pelo terremoto e o tsunami, e não havia como contatá-los por telefone, então eles receberam alguns conselhos, através de alguns conhecidos, que foram orientados por um veterinário, que disse a eles, que a única coisa que eles podiam fazer era cobri-lo com toalhas molhadas e sobre um piso molhado, até que eles conseguissem devolve-lo ao mar.
E entre as pilhas de detritos, casas e carros contorcidos, eles foram abrindo caminho com a Van, até chegar à praia, e lá foram puxando-o pela cauda, o mais longe que puderam, até que ele se lançou pulando a onda e indo para o oceano.
E enquanto observava a Toninha nadar mesmo devagar, pensava que ela já estava bem distante. Eu não sei se ela vai sobreviver, mas é muito melhor do que morrer dentro de um campo de arroz”, disse ele.
Especialistas relataram que o local é o limite norte do habitat natural dessa espécie de Toninha.
Pelo seu tamanho e coloração, eles presumem se tratar de um filhote que foi separada de sua mãe.
Se você quiser enviar um e-mail de agradecimento ao senhor Taira pela sua dedicação, pode fazê-lo por aqui .