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ESTUDO

Serpentes europeias ameaçadas pelas mudanças climáticas: o aquecimento global reduz habitats e região dos Balcãs surge como refúgio

20 de maio de 2026
2 min. de leitura
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Foto: Charles J. Sharp | Wikimedia Commons

As mudanças climáticas representam uma ameaça existencial para os répteis ectotérmicos em toda a Europa, e as serpentes — que dependem de nichos térmicos estáveis ​​— enfrentam severas alterações de habitat, de acordo com um estudo abrangente de modelagem ecológica publicado na revista Biological Diversity. A pesquisa, que analisou 31 espécies de serpentes europeias, mapeia a adequação do habitat atual e futuro sob dois cenários climáticos (SSP245 moderado e SSP585 de altas emissões), revelando disparidades geográficas gritantes nas perspectivas de sobrevivência das serpentes.

Pesquisadores utilizaram a modelagem de nicho ecológico (MNE) com algoritmos MaxEnt, integrando variáveis ​​bioclimáticas e dados de cobertura do solo para projetar mudanças na adequação de habitats para os períodos de 2041–2060 e 2061–2080. Os resultados mostram que a Europa Ocidental (Península Ibérica, França) sofrerá declínios acentuados em habitats adequados, impulsionados pelo aumento das temperaturas e pela seca. Espécies tolerantes ao frio, como Vipera berus e Vipera seoanei, enfrentam severas contrações em sua distribuição geográfica, e algumas estão vulneráveis ​​à extinção.

Em contraste, a Península Balcânica emerge como um refúgio climático crucial. Sua topografia acidentada e clima misto mediterrâneo-continental criam microrefúgios, favorecendo espécies tolerantes ao calor, como a Dolichophis caspius. Prevê-se um aumento na riqueza de serpentes nessa região, destacando o papel da topografia na mitigação do estresse climático.

A análise de nicho divide ainda as espécies em quatro grupos: ibéricos, balcânicos, tolerantes ao frio e outros. A ACP mostra que as espécies adaptadas ao frio divergem fortemente dos táxons tolerantes ao calor, sendo a temperatura e a precipitação os principais fatores limitantes.

O estudo destaca a urgência da conservação: a fragmentação do habitat agrava os riscos climáticos, limitando a dispersão das serpentes. Proteger paisagens estruturalmente diversas com refúgios microclimáticos é vital. Essas descobertas fornecem informações práticas para estratégias de conservação e adaptação climática direcionadas à fauna de serpentes ameaçadas da Europa.

Traduzido de EurekAlert.

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