Guerras e zoos compartilham uma mesma consequência para todos, a perda da liberdade, da segurança e, muitas vezes, da própria vida. O conflito entre Ucrânia e Rússia trouxe mais uma demonstração dessa realidade quando um ataque com drone atingiu um zoo no nordeste ucraniano, o segundo maior de Cracóvia, a cerca de 30 quilômetros da fronteira russa.
Na área atingida viviam centenas de coelhos, entre muitas outras espécies de animais. Dez coelhos morreram e outros quinze ficaram feridos. Um elefante passou a apresentar sinais de forte estresse após a explosão danificar parte do local onde era confinado. Não houve vítimas entre funcionários ou visitantes.
Meses antes, o mesmo local já havia sido atingido por forças russas. Na ocasião, diversas aves morreram. Os casos mostram como os animais se tornam vítimas de decisões humanas das quais não participam e que sequer conseguem compreender.
A guerra aprisiona populações inteiras ao medo, à violência e à perda. O zoológico aprisiona indivíduos por toda a vida, privando-os da liberdade, do controle sobre o próprio destino e dos comportamentos naturais que definem sua existência.
Quando uma bomba atinge um zoológico, duas formas de violência se encontram. A primeira vem dos armamentos. A segunda já estava presente antes da explosão, materializada nas grades, nos exíguos recintos e na impossibilidade de fuga. Animais livres podem tentar escapar do perigo. Animais encarcerados permanecem onde foram colocados, dependentes da sorte e das decisões humanas.
A tragédia dos coelhos mortos não começou no momento do ataque. Ela começou quando aqueles animais foram aprisionados para deleite de uns. Da mesma forma, o sofrimento do elefante não decorre apenas da explosão, resulta também de uma existência confinada em um espaço incapaz de oferecer a complexidade e a liberdade que ele necessita.
Guerras e zoos existem porque seres humanos acreditam ter o direito de controlar vidas que não lhes pertencem.
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