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NEGLIGENCIADOS

Sem abrigo contra baixas temperaturas e chuva: 74 bois morrem de frio em fazendas de Mato Grosso do Sul

Mesmo após milhares de mortes registradas nos últimos anos durante o outono e o inverno, rebanhos continuam expostos sem estrutura adequada para se proteger.

16 de maio de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Arquivo/Iagro

A onda de frio que atingiu Mato Grosso do Sul nos últimos dias resultou na morte de 74 bois em quatro propriedades rurais da região de Nova Andradina. Segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), os animais morreram por hipotermia após permanecerem expostos às baixas temperaturas, ventos fortes e chuva sem proteção adequada.

O boletim divulgado pela agência aponta que bezerros, animais debilitados e rebanhos mantidos em áreas sem abrigo estão entre os mais vulneráveis durante mudanças bruscas de temperatura. A produção pecuária que trata seres vivos como mercadorias e negligencia condições básicas de proteção diante de eventos climáticos extremos.

Embora as mortes tenham ganhado repercussão agora, o problema é recorrente no estado. Dados da própria Iagro mostram que mais de 2,7 mil bois morreram em Mato Grosso do Sul em decorrência do frio em 2023. Em 2024, aproximadamente 540 animais também morreram pelas mesmas causas.

Mortes em massa como essas mostram os limites de um sistema que prioriza produtividade e lucro enquanto milhões de animais permanecem expostos ao calor escaldante, à chuva, ao frio intenso e à falta de abrigo adequado. Em diferentes regiões do país, é comum que rebanhos sejam mantidos a céu aberto mesmo em condições climáticas severas, sem nenhuma estrutura para garantir proteção e bem-estar.

A Iagro orientou produtores rurais a reforçar a alimentação dos animais e disponibilizar áreas protegidas para minimizar os impactos das baixas temperaturas. O órgão também destacou que fatores como raça, idade, condição corporal e exposição constante ao vento influenciam diretamente na resistência dos bois ao frio.

Apesar das recomendações, medidas emergenciais são adotadas apenas após casos de mortalidade em massa, enquanto a vulnerabilidade dos animais permanece sendo ignorada pelos pecuaristas ano após ano.

Enquanto bois continuarem sendo vistos como mercadorias, mortes causadas por frio, calor, fome e sede seguirão sendo tratadas como números de uma engrenagem baseada na exploração e morte de animais. A violência da indústria da carne não se resume à matança para consumo, ela está presente no abandono cotidiano e na exposição às intempéries climáticas.

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