
Um vídeo gravado em 5 de julho no SeaWorld San Diego, na Califórnia, levou a PETA a apresentar uma denúncia ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), solicitando a abertura de uma investigação sobre possíveis violações da Lei de Bem-Estar Animal (Animal Welfare Act – AWA). As imagens mostram dois leões-marinhos em um confronto dentro de um recinto da instituição, que terminou com um deles com um ferimento perfurante sangrando e diversas escoriações aparentes.
A denúncia, protocolada pela PETA na manhã desta ontem (09/07), sustenta que o caso pode indicar falhas na organização e cuidados dos animais mantidos em cativeiro. A organização pede que o USDA apure se o SeaWorld descumpriu exigências da legislação federal ao manter juntos indivíduos considerados incompatíveis, se o animal ferido recebeu atendimento veterinário adequado e se ambos continuam sendo utilizados em apresentações ao público.
O vídeo, publicado nas redes sociais, foi analisado pelo médico-veterinário especializado em fauna silvestre Mason Payne. Segundo sua avaliação, é possível identificar um ferimento perfurante ativo próximo ao flanco esquerdo de um dos leões-marinhos, além de lesões na cabeça e em outras partes do corpo. Para o especialista, a gravidade da perfuração exige avaliação veterinária imediata para verificar eventual comprometimento da cavidade abdominal e reduzir o risco de infecções.
As imagens também mostram que o confronto prossegue após os animais entrarem na água. Em determinado momento, um deles parece agarrar e torcer o corpo do outro, comportamento que, de acordo com Payne, pode ter provocado novas lacerações ou ampliado os ferimentos já existentes.
Em comunicado, a presidente da PETA, Tracy Reiman, afirmou que o caso evidencia problemas associados ao confinamento de animais utilizados para entretenimento. “Um leão-marinho ficou ferido e sangrando porque o SeaWorld trata os animais como adereços para fotos, em vez de indivíduos com suas próprias necessidades sociais”, declarou. A dirigente acrescentou que a organização pede uma investigação formal do USDA e reiterou sua posição contrária a instalações que mantêm leões-marinhos e outros animais silvestres em cativeiro para exibição pública.
A Lei de Bem-Estar Animal estabelece requisitos mínimos para o manejo de animais mantidos por instituições sujeitas à fiscalização federal nos Estados Unidos. Entre as normas específicas para mamíferos marinhos, a regulamentação determina que indivíduos incompatíveis não podem permanecer alojados no mesmo recinto nem próximos de animais que lhes provoquem estresse excessivo ou prejudiquem sua saúde.
Embora conflitos entre leões-marinhos possam ocorrer naturalmente em populações de vida livre, ambientes confinados reduzem significativamente a possibilidade de fuga, dispersão e escolha de parceiros sociais. Em condições naturais, esses animais utilizam extensas áreas costeiras e marinhas para estabelecer territórios, evitar confrontos prolongados e regular suas interações. Em recintos artificiais, a limitação de espaço e de opções comportamentais pode aumentar o risco de agressões persistentes entre indivíduos incompatíveis.
A denúncia da PETA também chama atenção para a obrigação legal de garantir atendimento veterinário imediato sempre que um animal apresente sinais de lesão ou sofrimento. Caso a investigação conclua que houve descumprimento da legislação federal, o SeaWorld poderá ser alvo de medidas administrativas previstas na AWA, cuja fiscalização cabe ao Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS), órgão vinculado ao USDA.
Até o momento da divulgação da denúncia, não havia informação pública sobre eventual posicionamento do SeaWorld San Diego em relação às alegações apresentadas pela PETA nem sobre o estado clínico do leão-marinho ferido.
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