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MEDIDA DE PROTEÇÃO

São Francisco usa inteligência artificial para salvar baleias de colisões com barcos; entenda como funciona

O sistema recém-implantado visa alertar barcos sobre a presença de baleias na baía

2 de junho de 2026
3 min. de leitura
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Corpo de uma baleia em praia da baía de São Francisco, nos EUA. Foto: Getty Images

Em 2025, 21 baleias-cinzentas mortas foram encontradas na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos – o maior número em 25 anos. Pelo menos 40% delas foram mortas por colisões com embarcações. Nestes primeiros meses de 2026, mais 10 animais morreram na região, um deles em meados de maio. Para enfrentar esse cenário, está sendo lançada uma rede de detecção que usa Inteligência Artificial para escanear a baía e alertar os navegantes para que reduzam a velocidade ou mudem de rota quando baleias estiverem por perto.

“Eles poderão fazer ajustes muito antes de chegarem perto. Isso também nos permitirá rastrear dados ao longo do tempo e ver onde as baleias estão se concentrando, para que possamos ajustar nossas rotas durante a temporada de baleias e evitar completamente essas áreas”, disse Thomas Hall, diretor de operações da balsa da Baía de São Francisco, ao The Guardian.

A inteligência artificial identifica automaticamente possíveis avistamentos de baleias, que são então verificados por observadores treinados em mamíferos marinhos antes que alertas sejam enviados via rádio para operadores de balsas, controladores de tráfego de embarcações e publicados no site Whale Safe. A nova tecnologia, que pode detectar baleias a até 7 quilômetros de distância, ainda combina IA com câmeras térmicas que operam 24 horas por dia, 7 dias por semana, instaladas em diferentes pontos da baía.

O sistema foi apresentado ao público por uma coalizão formada por cientistas oceânicos, a Guarda Costeira dos EUA, especialistas em rastreamento de baleias e empresas de balsas locais.

Sistemas de detecção chamados de Whale Spotter já são utilizados em embarcações e instalações fixas, como faróis e torres costeiras, nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Mas os pesquisadores afirmam que a rede da Baía de São Francisco é a primeira a integrar diretamente detecções terrestres e embarcações com alertas oficiais para navegantes, permitindo que os avistamentos de baleias sejam transmitidos em tempo quase real para os barcos que navegam na baía.

Os últimos testes, realizados em maio, produziram uma enxurrada imediata de detecções. Os pesquisadores afirmam que a maior vantagem do sistema é o monitoramento constante. Ao contrário dos observadores humanos, as câmeras térmicas podem operar durante a noite e em muitas condições de neblina comuns na baía.

Como funciona a IA

O desenvolvimento do sistema levou cerca de 15 anos para ficar pronto, relata a Scientfic American. Pesquisadores usaram centenas de milhares de imagens térmicas para treinar a IA a reconhecer as diferenças relativas de temperatura entre a água expelida pelos espiráculos das baleias e a água da baía, cerca de 2ºC mais fria. Este é o primeiro passo. Quando a ferramenta aponta uma possível detecção, um pesquisador da WhaleSpotter verifica os dados para minimizar falsos positivos. Após a verificação, um alerta é enviado a todas as embarcações próximas.

“Queremos o maior número possível de implantações, porque isso significa que, em última análise, teremos uma visão melhor do oceano. A navegação não vai desaparecer. Precisamos de uma tecnologia que nos permita usar o oceano, mas que também permita que as baleias sigam com suas vidas”, disse Daniel Zitterbart, cientista-chefe do WhaleSpotter.

Mudanças climáticas

As baleias-cinzentas migram há muito tempo ao longo da costa da Califórnia em sua jornada de aproximadamente 19.300 km as áreas de reprodução no México e as áreas de alimentação no Ártico. Mas, em vez de simplesmente passarem ao largo da costa, um número crescente de baleias está desviando para a Baía de São Francisco e permanecendo por dias ou até semanas no estuário – uma mudança que os cientistas associam cada vez mais às mudanças climáticas.

O aquecimento global e as mudanças no gelo marinho no Ártico estão perturbando a cadeia alimentar da qual as baleias-cinzentas dependem durante os meses de alimentação do verão, deixando muitas delas desnutridas durante a migração.

Fonte: Um só Planeta

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