O Porto de Natal, no Rio Grande do Norte, realizará nos dias 24 e 25 de junho um embarque-teste com 3.300 bois vivos destinados ao Líbano, inserindo o estado no mercado de exportação marítima de animais vivos para serem mortos em outros países. É lamentável que, enquanto outros países proíbem a prática, mais um estado brasileiro passe a integrar uma cadeia marcada pelo confinamento, pelo sofrimento prolongado durante viagens marítimas e pela transformação de seres sencientes em carga comercial.
A operação foi confirmada pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) e será realizada em meio ao crescimento das exportações brasileiras de animais vivos, que aumentaram 5,53% no último ano, apesar das denúncias recorrentes feitas por ONGs em defesa dos direitos animais.
O principal mercado comprador está em países do Norte da África e do Oriente Médio, onde os animais são enviados para serem mortos. A expansão desse comércio só aprofunda um sistema que reduz vidas de animais a mercadorias transportadas em massa. Durante as viagens, os bois passam semanas confinados em navios superlotados, expostos a calor intenso, acúmulo de fezes e urina, estresse, desidratação e risco de doenças e ferimentos.
O Rio Grande do Norte se junta ao Pará, São Paulo e Rio Grande do Sul na expansão de um mercado que transforma animais vivos em mercadorias exportáveis e normaliza o sofrimento em escala industrial, ignorando os impactos físicos e psicológicos impostos aos bois confinados em navios por dias ou semanas até que sejam mortos, além do impacto ambiental das exportações. Enquanto diversos países avançam em restrições ou proibições à exportação de animais vivos por razões éticas e sanitárias, o Brasil segue ampliando uma atividade sustentada pela exploração extrema de seres sencientes em nome do lucro bilionário do agronegócio.
Embora o setor apresente as Estações de Pré-Embarque (EPEs) como estruturas de controle sanitário e “bem-estar”, oferecer alimentação, água e acompanhamento veterinário é o mínimo e não elimina todo a tortura causada pela exportação.
Diante desse cenário, é necessário proibir a exportação de animais vivos no Brasil. Em vez de ampliar portos, navios e estruturas para esse comércio cruel, o país precisa avançar eticamente e reconhecer que nenhum lucro justifica fazer os animais passarem por essa angústia.