Um turista acusado de atirar uma pedra em uma foca-monge-havaiana ameaçada de extinção na costa de Lahaina tornou-se o centro de uma crescente indignação depois que testemunhas afirmaram que ele minimizou o incidente dizendo: “Não me importo… Sou rico”.
O homem foi identificado em reportagens locais e online como Igor Lytvynchuk, um empresário de Seattle de 37 anos, supostamente ligado a uma empresa de transporte marítimo com sede em Washington. As autoridades não divulgaram seu nome oficialmente, mas o Departamento de Terras e Recursos Naturais do Havaí confirmou a detenção de um homem de 37 anos de Seattle após o incidente.
A mulher que gravou as imagens, Kaylee Ku’ukamaleimakamae Schnitzer, disse à KHON2 que o homem pareceu indiferente ao ser confrontado. Segundo o relato dela, ele teria respondido: “Não me importo, multem-me. Sou rico”, antes de ir embora.
A foca foi identificada pelas autoridades como Lani, uma das focas-monge mais famosas de Maui. Um vídeo divulgado ontem (11/05) mostra que ela está bem e sem ferimentos.
As focas-monge-havaianas estão entre os mamíferos marinhos mais raros do mundo, com apenas cerca de 1.600 indivíduos restantes na natureza. Elas são protegidas pela Lei de Proteção de Mamíferos Marinhos e pela Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, o que significa que o assédio pode acarretar penas de até cinco anos de prisão e multas de até US$ 50.000.
Após deter o suspeito, os agentes estaduais disseram que ele se recusou a prestar depoimento e solicitou um advogado. O caso foi encaminhado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) para análise federal.
Para muitos no Havaí, a indignação não se resume a um vídeo viral. Trata-se do tratamento dado a uma espécie que não existe em nenhum outro lugar da Terra — e se um momento de arrogância imprudente levará agora a consequências reais.
A foca Lani
De acordo com declarações de autoridades havaianas, Lani não sofreu ferimentos graves durante o incidente. As primeiras avaliações dos socorristas da vida selvagem indicaram que a foca continuou a se comportar normalmente após a agressão e não foram observados sinais imediatos de danos físicos. Relatórios de autoridades locais e agências ambientais confirmaram que um biólogo da NOAA foi enviado para avaliar a situação logo após a divulgação do vídeo.
A própria Lani tornou-se uma figura simbólica em Maui nos últimos anos. Membros da comunidade e autoridades têm expressado repetidamente preocupação com a crescente interferência humana na vida selvagem, especialmente em áreas costeiras onde as focas-monge descansam, amamentam seus filhotes ou se recuperam da busca por alimento no mar.
Por enquanto, Lani permanece sob observação por meio de esforços de monitoramento da comunidade e sistemas de rastreamento usados para certas focas na região. As autoridades tranquilizaram o público, afirmando que ela parece saudável e retomou seus padrões normais de comportamento após o incidente, embora o processo judicial mais amplo ainda esteja em andamento.