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IMPACTO HUMANO

Poluição plástica já afeta sete em cada dez tartarugas marinhas resgatadas no Mediterrâneo

18 de maio de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Proteção Animal Mundial

A poluição por plásticos continua se expandindo em mares e oceanos de todo o planeta, gerando consequências cada vez mais visíveis sobre a fauna marinha. Entre as espécies mais afetadas aparecem as tartarugas marinhas, animais fundamentais para avaliar o estado ambiental dos ecossistemas aquáticos devido à sua ampla distribuição e contato permanente com diferentes habitats.

Nesse contexto, novos dados divulgados pela Fundação para a Conservação e Recuperação de Animais Marinhos (CRAM) acenderam novamente os alarmes ambientais no Mediterrâneo.

Segundo os registros correspondentes a 2025, 74% das tartarugas atendidas na Área de Clínica e Resgate apresentaram restos de plástico em seu sistema digestivo ou sinais de terem ficado presas em resíduos marinhos e artes de pesca.

Além disso, os especialistas advertiram que o problema já afeta até mesmo exemplares muito jovens que mal passaram pouco tempo em liberdade.

Tartarugas feridas e resíduos acumulados no mar

Um dos casos que mais preocupou os veterinários foi o de Pepe, uma tartaruga ingressada no centro de resgate com uma severa acumulação de gases no aparelho digestivo.

Após realizar uma endoscopia de urgência, os profissionais conseguiram extrair um grande fragmento de plástico que obstruía parcialmente seu estômago. No entanto, durante os dias posteriores o animal continuou expulsando resíduos, entre eles a tampa de uma garrafa plástica.

A situação também se repetiu em um filhote de apenas um ano de idade, que eliminou importantes quantidades de plástico apesar de seu pouco tempo de exposição ao ambiente marinho.

Para os pesquisadores, esses episódios refletem o elevado nível de poluição presente atualmente no Mediterrâneo. Além disso, os dados coletados mostram um aumento sustentado de ingressos de tartarugas afetadas por lixo marinho e redes abandonadas.

O impacto sobre a saúde das espécies marinhas

Durante 2025, a Fundação CRAM atendeu 98 tartarugas marinhas, entre elas exemplares de tartaruga cabeçuda, tartaruga verde e tartaruga de couro. Nas amostras analisadas, os especialistas encontraram resíduos plásticos na maioria dos indivíduos estudados.

Embora os fragmentos encontrados nem sempre fossem a causa direta de morte, sim provocaram graves consequências sobre a saúde dos animais. Entre os efeitos detectados aparecem enterites severas, inflamação intestinal, enfraquecimento geral, problemas nutricionais e obstruções digestivas.

Além disso, dez tartarugas chegaram presas em redes ou lixo marinho, e quatro delas tiveram que ser submetidas a amputações devido à gravidade dos ferimentos. Frente a esses casos, os especialistas recomendam não tentar liberar animais emaranhados sem assistência profissional e contatar imediatamente os serviços de emergência.

Como a poluição plástica altera os ecossistemas marinhos

O impacto do plástico sobre os oceanos vai muito além das tartarugas marinhas. Com o passar do tempo, os resíduos se fragmentam e se transformam em microplásticos e nanoplásticos que ingressam facilmente nas cadeias alimentares.

Esses materiais são ingeridos por peixes, moluscos, aves e mamíferos marinhos, afetando funções biológicas essenciais e alterando o equilíbrio ecológico dos ecossistemas aquáticos.

Além disso, os plásticos atuam como esponjas químicas capazes de absorver metais pesados e contaminantes tóxicos que depois se dispersam através da cadeia trófica.

Segundo organismos internacionais, entre 60 e 80% dos resíduos presentes no mar correspondem a materiais plásticos. A acumulação persistente de lixo marinho também deteriora habitats costeiros, afeta recifes e reduz a capacidade de recuperação natural dos oceanos.

Enquanto cresce a preocupação ambiental, especialistas insistem que a redução do plástico descartável, a reciclagem e a cooperação internacional serão chaves para diminuir uma ameaça que continuará afetando a biodiversidade marinha durante décadas.

Fonte: Noticias Ambientales

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