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DESTRUIÇÃO AMBIENTAL

Óleo de palma, o coco e a soja causam mais extinção de espécies do que se pensava anteriormente

20 de junho de 2026
4 min. de leitura
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Foto: Pexels

Os óleos extraídos de culturas como o coco, a palma e a soja são utilizados em diversas aplicações, desde cosméticos e maquiagem até margarina e pastas para barrar, e de medicamentos a ração animal. Essas oleaginosas, como são conhecidas, são cada vez mais consumidas e cultivadas. Isso tem um impacto no meio ambiente. Mas qual é exatamente esse impacto?

Uma equipe de pesquisa liderada por Stephan Pfister, professor de avaliação quantitativa da sustentabilidade na ETH Zurich, examinou essa questão. Especificamente, os pesquisadores estudaram até que ponto o aumento do cultivo e do consumo de oleaginosas está ameaçando espécies animais e vegetais em todo o mundo. Este é o primeiro estudo mundial a abordar essa questão.

Os resultados foram publicados na revista Nature Food.

“Do ponto de vista da proteção ambiental, a perda de biodiversidade é um problema tão grande quanto a mudança climática”, afirma Pfister, explicando a motivação por trás do estudo. Nele, os pesquisadores analisaram dados globais sobre produção, comércio e uso da terra ao longo de várias décadas, combinando diversos modelos para avaliar a influência das oleaginosas na biodiversidade.

Os pesquisadores começaram compilando mapas globais do cultivo de oleaginosas com base em dados de satélite, estatísticas agrícolas e conjuntos de dados globais sobre terras cultivadas.

Eles também calcularam em que medida diferentes formas de uso da terra ameaçam as espécies animais e vegetais. Para isso, utilizaram fatores de perda de espécies, que indicam o quanto as áreas cultivadas contribuem para a perda global de espécies — dependendo da região e da intensidade agrícola.

Três culturas são as principais responsáveis ​​pela extinção de espécies

Os pesquisadores também buscaram destacar o impacto do cultivo de oleaginosas em toda a cadeia de suprimentos global, explica Pfister. Para isso, Pfister e sua equipe vincularam os dados já coletados a um modelo econômico global que descreve as cadeias de suprimentos internacionais — do cultivo ao processamento e ao produto final. Isso ilustra, por exemplo, como a soja do Brasil é usada na alimentação animal na China ou na Europa, possibilitando, em última análise, um alto consumo de carne.

Por fim, a equipe analisou como fatores como comportamento do consumidor, crescimento populacional e eficiência agrícola estão contribuindo para o aumento da perda de biodiversidade.

O estudo examinou 19 culturas oleaginosas. “Três delas causaram uma parcela particularmente grande dos impactos: palma de óleo, soja e coco”, diz Shuntian Wang, doutorando da equipe de Pfister. Juntas, elas representam cerca de 75% da perda de biodiversidade causada pelas culturas oleaginosas.

O consumo como fator determinante da perda de biodiversidade

Ao mesmo tempo, o estudo destaca um desenvolvimento claro: entre 1995 e 2020, a perda de biodiversidade aumentou em cerca de 80%. Mas isso não é causado principalmente pelo crescimento da população global.

As regiões tropicais são especialmente afetadas, com o uso da terra para a agricultura causando significativa perda de biodiversidade. Isso se deve não apenas ao fato de que culturas oleaginosas, como a palma de óleo e o coco, são exclusivas dessas regiões, mas também porque sustentam alta biodiversidade e normalmente produzem menos por unidade de terra. Como resultado, muitas vezes há necessidade de expansão agrícola, o que pode levar à destruição de ecossistemas, como o desmatamento.

A demanda global está impulsionando a produção de óleo vegetal

Esses sistemas muitas vezes estão muito distantes dos fatores que impulsionam a demanda. Como mostra o estudo da equipe de Pfister, mais da metade dos impactos são atribuíveis ao consumo em outros países. A União Europeia, a China e os Estados Unidos, juntos, respondem por mais de 80% desses impactos externalizados. Enquanto a UE importa principalmente óleo de palma, a influência da China está ligada principalmente à soja para ração animal.

Infelizmente, a perda de biodiversidade não pode ser interrompida da noite para o dia. O uso prolongado de terras agrícolas também exerce pressão sobre os ecossistemas. “Mesmo que não haja novo desmatamento, o impacto da agricultura atual permanece”, afirma Pfister.

Soluções potenciais

Para atenuar os problemas existentes, são necessárias uma produção mais ecológica, menos desmatamento e práticas agrícolas que protejam o solo e o meio ambiente. O consumo também precisa mudar. No entanto, os mercados globais dificultam a busca por soluções simples. A demanda pode migrar rapidamente para outras regiões.

“Uma alavanca importante é investir em uma melhor produção e na proteção dos ecossistemas nos países de origem”, afirma Pfister.

Traduzido de Phys.org.

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