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RIO DE JANEIRO

Nove coelhos: biólogo denuncia abandono de animais na Lagoa Rodrigo de Freitas

Na semana passada, Mario Moscatelli já havia encontrado um jabuti nas mesmas condições no local

29 de abril de 2026
Sophia Lyrio
6 min. de leitura
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Foto: Reprodução do Instagram

O biólogo Mario Moscatelli alerta para o abandono de animais na Lagoa Rodrigo de Freitas e cobra maior fiscalização por parte da prefeitura. Segundo ele, nove coelhos foram deixados na área de naturalização do corte do Cantagalo. Até o momento, quatro foram resgatados por sua equipe, estão em tratamento e deverão ser encaminhados para adoção. De acordo com Moscatelli, a Patrulha Ambiental se comprometeu a recolher os outros cinco.

O caso não é isolado. Na semana passada, o biólogo já havia resgatado no mesmo local um jabuti abandonado, que corria risco de atropelamento. No sábado, após receber a informação de que dois coelhos haviam sido vistos na área, sua equipe foi ao local e constatou, aos poucos, que, na verdade, eram nove animais no total.


Segundo Moscatelli, a presença desses animais é prejudicial tanto para eles quanto para o ecossistema. Por serem domésticos, os coelhos não encontram na lagoa os alimentos adequados e ainda ameaçam a vegetação em processo de recuperação.

“A proposta da lagoa não é se tornar um safári, muito menos receber espécies domesticadas. Aquilo não é uma fazendinha. A ideia é revitalizar o ambiente para atrair animais silvestres. O coelho não tem ali o alimento ideal e, além disso, tem alta capacidade de reprodução, o que pode gerar superpopulação e comprometer as espécies vegetais que estão sendo reintroduzidas”, afirma.

O biólogo destaca que, diante da importância do projeto de recuperação ambiental da lagoa, é fundamental reforçar o monitoramento da área, tanto para evitar o abandono de animais quanto para coibir ações de vandalismo.


“Já solicitei à prefeitura a instalação de câmeras voltadas para a ciclovia e as margens da lagoa. Não tem a ver com trânsito, mas com segurança e proteção ambiental. Além de aumentar a segurança dos frequentadores, isso ajudaria a inibir danos à flora e à fauna. A Guarda Municipal e a Polícia Militar não podem ficar responsáveis por esse tipo de situação o tempo todo, então por que não usar a tecnologia a favor do meio ambiente?”, questiona.

A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais informa que não recebeu chamados referentes ao abandono de coelhos ou de um jabuti na Lagoa. E, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac), a Patrulha Ambiental só realiza o recolhimento de animais silvestres, o que não é o caso dos coelhos encontrados na Lagoa, classificados como animais domésticos.

O jabuti, um animal silvestre, informa, foi resgatado pela equipe do biólogo Mario Moscatelli e encaminhado ao Instituto Vida Livre (IVL).

De acordo com os dados da Central 1746 e da ouvidoria da secretaria, o número de maus-tratos e abandono de animais cresceu mais de 30% em 2025 na cidade do Rio de Janeiro em relação ao ano anterior. Em 2024, foram 12.093 chamados, contra 15.830 no ano passado.

A Prefeitura do Rio informa ainda que a região da Lagoa é monitorada por 217 câmeras, sendo 113 delas inteligentes, e que as polícias têm acesso em tempo real às imagens.

Fonte: O Globo

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