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PROPAGAÇÃO

Morte de urso polar por gripe aviária é registrada pela primeira vez no Ártico

21 de maio de 2026
Suzana Camargo
2 min. de leitura
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Foto: Ingebjørg H. Nymo / Instituto Veterinário da Noruega

O Instituto Veterinário da Noruega anunciou na terça-feira (19/05) o registro do primeiro caso de gripe aviária detectado em um urso polar no Ártico europeu. O animal, tinha cerca de um ano, e foi encontrado na região de Svalbard. Além dele, exames realizados em laboratório confirmaram a presença da variante H5N5 em uma morsa, também morta.

Segundo o instituto, esta variante do vírus já havia sido detectada anteriormente na vida selvagem em Svalbard: pela primeira vez em 2022, em aves marinhas selvagens; no ano seguinte em uma morsa em 2023; e, mais recentemente, em raposas-do-ártico, em 2025.

Os animais mortos foram avistados primeiramente por guias turísticos, que alertaram o Instituto Polar Norueguês. Na mesma área onde as carcaças estavam, dois outros ursos foram observados com claudicação (mancando) em uma das patas, o que pode indicar problemas neurológicos, um dos sintomas da gripe aviária.

“As carcaças foram rapidamente localizadas após um voo de helicóptero, e amostras foram coletadas com sucesso. Não observamos, do ar, quaisquer outros ursos-polares doentes”, afirmou Knut Madslien, veterinário e especialista em saúde da vida selvagem.

Propagação do vírus pelo Ártico

Em 2023, já havia sido documentada a primeira morte de um urso polar por gripe aviária, mas no Alasca (EUA), vítima da variante H5N1.

“Essas descobertas fazem parte da propagação contínua da influenza aviária de alta patogenicidade na Europa, onde o vírus tem sido cada vez mais detectado em mamíferos. Nos últimos anos, ele também se expandiu para novas áreas, incluindo o Ártico, onde pode impactar populações vulneráveis ​​da vida selvagem e ecossistemas frágeis”, alerta Ragnhild Tønnessen, coordenadora de influenza aviária do Instituto Veterinário Norueguês.

“É importante que monitoremos a situação de perto para compreender melhor esses desdobramentos e gerenciar os riscos potenciais”, acrescenta Madslien.

O urso polar (Ursus maritimus), maior carnívoro terrestre do planeta, é considerado ‘vulnerável’ à extinção, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. Entre as principais ameaças – até agora, – estava o degelo crescente do Ártico.

Gripe aviária: de aves para mamíferos

Embora inicialmente a influenza aviária de alta patogenicidade, chamada popularmente de gripe aviária, afetasse apenas aves, sobretudo espécies migratórias, principalmente as aquáticas, apontadas como as principais responsáveis pela transmissão da doença, com o passar dos anos o vírus começou a “pular” para outros grupos de animais.

Na última década, foi confirmada a contaminação entre mamíferos aquáticos, como elefantes-marinhos, e terrestres, entre eles, ovelhas, linces-pardos e gatos. Em 2024, houve o registro da morte também do primeiro ser humano no México.

O vírus da gripe aviária é altamente contagioso. Poucos dias após a contaminação, os sintomas já ficam visíveis, como paralisia e inchaço de partes do corpo, e vários órgãos param de funcionar. O sistema neurológico é comprometido e os animais começam a apresentar tremores. A taxa de mortalidade chega a 90%.

Fonte: Conexão Planeta

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